Da essência
Poesia não é o que eu escrevo;
É o que me faz escrever
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Parei embaixo da árvore.
Em todo lugar, pétalas caídas ao chão, ainda brancas e macias, mas mortas.
Entretanto, sem vento nem brisa, uma delas começou a voar.
Subia, descia, fazia voltas ao meu redor.
Era um pedacinho de vida em meio à morte, uma flor viva no ar e no céu.
Era uma borboleta.
E o meu dia ficou mais bonito.
A palavra mais linda e mais pura
É a que se intui, não a dita:
Pois que sem ruído é bonita,
Perfeita, ideal, sem mistura.
Pois sem os limites audíveis
É um sentimento intocado;
Que assim se propaga, calado,
Capaz de façanhas incríveis;
Pois nada é tão bom para a alma,
Nem fala tão perfeitamente,
Nem toca o mais fundo do peito;
É a brisa mais doce e mais calma
Que não se escuta, se sente;
Perfeita em forma e em efeito.
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Procura-se a frase perfeita,
Ápice da poesia.
Ideal inalcançável!
Pois só a vislumbro
No silêncio.
Mulher:
Criatura estranha
Que sangra
Que chora
Que encanta ao falar.
Mulher:
Poesia encarnada
Que canta
Que dança
Que voa ao sonhar.
Mulher:
Eterno mistério
Que incita
Que excita
Nem tento explicar.
Mulher:
Não só
Em um dia
Mas em todo o tempo
Segundo a segundo:
É sonho
Beleza
E luar.