27 de March de 2007
Procura-se
Procura-se a frase perfeita,
Ápice da poesia.
Ideal inalcançável!
Pois só a vislumbro
No silêncio.
Procura-se a frase perfeita,
Ápice da poesia.
Ideal inalcançável!
Pois só a vislumbro
No silêncio.
Mulher:
Criatura estranha
Que sangra
Que chora
Que encanta ao falar.
Mulher:
Poesia encarnada
Que canta
Que dança
Que voa ao sonhar.
Mulher:
Eterno mistério
Que incita
Que excita
Nem tento explicar.
Mulher:
Não só
Em um dia
Mas em todo o tempo
Segundo a segundo:
É sonho
Beleza
E luar.
Ouvi dizer que a água é insípida, inodora e incolor.
Como assim é insípida,
Se minha sede discorda
E só tem prazer em seu sabor?
Como seria inodora,
Se amo e conheço o cheiro da chuva
Que cai depois de longa estiagem?
E como será incolor,
Se em cada mínima gotícula,
Há um arco-íris sonhando em sair?
Despedir-se do que está velho
E receber o novo
É como despir-se num dia frio e chuvoso;
Como sair da cama depois da noite de sonho,
Como deixar pra trás uma parte de si.
É dizer adeus a quem se sabe ser,
Sem saber o que há de tornar-se;
É findar em si mesmo outro ciclo
É esquecer-se e lembrar-se
De si, e do sempre, e do instante,
É saber-se mortal e incessante,
Raiz seca e renovo;
É adeus,
É feliz,
Velho Novo.
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Palavras
Nascem
No coração;
Vivem e crescem
No peito, na mente,
Na emoção que cura
Ou que fere;
E (só) quando morrem
Enfim vão pr’o céu
Da boca.
O céu cinza e chuvoso,
Uma noite em que faltou sono:
E acordei cinza e amargo.
A boca se cala,
O peito se fecha,
E cerram-se as portas da alma;
Irritado e rançoso,
Quase não percebo
O aperto constante no peito:
Que algo lá grita,
Esperneia,
Debate-se até;
O que há?
Será bile?
Não é!
Acho que é só poesia,
Querendo escapar de lá.
E se abro uma porta,
Se sai a poesia,
A luz brilha dentro outra vez;
A cor se insinua
E a bile recua
E… surge um sorriso?
Talvez…
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Um silvo
Um vulto
Mal se vê a flecha
Cortando o ar
E o tempo
E o espaço
Pedindo silêncio
Ao dono e ao alvo.
É enquanto voa
Que realmente se encontra;
E não quando atinge
O alvo almejado
Num ponto vital;
Que o alvo ferido
Só herda o silêncio;
O silvo do vôo
E a história da flecha
Encontra, com a vida
Vencida na morte,
Seu ponto final.
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