Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

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Fala sério

Perdemos um bobo.
Mas um necessário,
Que o riso do povo
Tinha por salário;

Que em meio às mazelas
Do nosso Brasil,
Também criticava
E ria do vil;

Que aqui o que resta
Pra que não choremos
É rir da desgraça
Que hoje vivemos.

Fazendo piadas
Com o povo, e do povo,
Nos deixa o Bussunda,
Ainda tão novo;

Mas filho dum povo
Que é brasileiro
E que não desiste
Desse galinheiro.

Então digo, triste,
Adeus, bom Bussunda…
Chore por quem fica,
E um beijo na testa!

Comer Papinha Involui

Era uma vez um garotinho
Que não queria mais crescer
Odiava um molusco
E sonhava com o poder.

Mas um dia descobriram
A caquinha em sua fralda;
Garotinho, coitadinho,
Encontrou-se num dilema;
“Como faço pra que nunca
Mais encontrem minha sujeira?

Se o problema é a caquinha,
Eu resolvo na origem;
Pois não sai o que não entra;
Vou parar com a papinha!”

Garotinho agora chora
De manha e também de fome;
Mas mesmo quando não come
Ainda cheira a falcatrua.
Pode até não ter caquinha
Mas o cheiro continua…

Contos, Pizzas, Infâmia

Caíram, cassados, caçados
Aqueles que se recusaram
A compartilhar sua caça
Com a impiedosa alcatéia.
Ficamos, ovelhas, pasmados
Diante da grande e vil tenda
As casas e pratos virados:
Retrato da nossa esperança?

Com tantas vovós, chapéuzinhos,
Somente prosperam os lobos,
Que delas se fartam e arrotam
Projetos de lei infundados,
Palavras vazias, mentiras
De peitos vazios, ausentes
De todo amor ou justiça;
Somente ganância e preguiça.

E o povo nem mesmo percebe
Que é ele mesmo a massa,
O molho, até a muzzarela,
Da pizza gigante e indigesta;
E ficam aqui os porquinhos,
Tentando erguer suas casas
Que os lobos assopram e derrubam
Se rindo do nosso esforço;

E o circo montado graceja,
Também arrogante contesta
O fim desse conto de fadas,
Pois final feliz não se espera;
Somente um povo comido,
Cuspido, pisado, sofrido;
Um povo à mercê do perigo
Daqueles que o representam.

E qual é a lição de moral?
Que o ser humano não presta,
Que o povo não se interessa
No bem de si mesmo ou do outro;
Não é tão estranho esse conto,
Pois que ao final dessa história,
Na nossa vergonha inglória,
Levamos o que merecemos.

Haikai ou Nunkai?

Quem perde um dedo
Diz que não sabe nada.
Perdeu a escuta?

Copa, Pão e Ilusão

O Brasil, o pobre menino,
Enfim perdeu a inocência?
Ou se esquecerá no futuro?
Ou se entregará à demência?

Pois é como a Copa do Mundo,
Pois se acompanha, ao vivo
O vão desfilar de desgraças
As faltas, o jogo reativo;

Mas muito ao contrário da bola,
E do nosso esporte amado,
Nós comemoramos gol contra…
E pelo governo marcado!

E assim o país do pé-bola
Se vai de buraco em buraco…
Maior testemunho de um povo
Que ao invés de ser forte é fraco.

Na Copa do Mundo ganhamos,
O penta é nosso, afinal;
Se fosse o Pelé presidente
Talvez não se desse tão mal.

Mas quando nos fala de bola
Alguém que não sabe driblar,
Nem passa da eliminatória.
Assim, como iremos ganhar?

Mas chega, metáfora vil,
Mas assim dirijo-me ao povo;
Pois se é enganado assim,
Talvez eu o acorde de novo;

Quem sabe é pensando na bola
Que o povo enfim tome atitude
E use o cartão vermelho
Em vez de esperar que ele mude.

Acorda, Brasil, toma jeito!
O segundo tempo é passado;
O tempo do gol é agora,
Ou terá o Brasil terminado?

Como Ponderar na Indignação?

O Brasil está perdido?
Não, não penso assim.
Não é mal-entendido,
E eu não sou “do contra”:
Não pode se perder
quem não se encontra.

Campanha Parece Importada

Um PT chora,
o outro ri;
a toda hora
se descobre
sem demora
uma maldade;
e a verdade,
onde está?

Lulaqui?
Ou lulalá?

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