Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Archive for March, 2008

Desastre menino

“Esse menino é um desastre
Esperando pra acontecer.”

E o desastre nem ouve.
Só brinca e explora
O seu próprio mundo
Relevando o nosso.
Desastre que cria,
Que faz, que acontece,
Que ri, que padece,
Desastre inocente,
Carente de amor;
Desastre menino
Um dia desastre
Pra um mundo caído,
Repleto de dor;
Desastre ao ser livre
Num mundo cativo,
Desastre ao ser bom
Nesse mundo de horror.

E cresce o desastre,
Já homem menino;
Não segue o cinismo
A lhe rodear.
Mas cria, e muda,
E faz, e acontece,
E ri, e padece;
O amor que faltara
Agora lhe sobra
No bom coração.
Não dura o menino,
Desastre que era;
Encontra o destino,
Desastre pintado
Nas letras da nota
No fim do jornal:

“Desastre: Menino
Ajuda um estranho
No meio da noite;
Ferido de morte,
Perdoa o assassino,
Desmaia de dor.”
Desastre menino!
Já brinca e explora
O seu próprio mundo:
Venceu pelo amor.

O tempo e o vento

O vento só existe
Enquanto se move.
É assim que é sentido,
Só assim tem sentido;
O vento não pára.

O tempo só existe
Enquanto se move.
É assim que é sentido,
Só assim tem sentido;
O tempo não pára.

No sopro do tempo
É que alguém existe;
O ar mais o tempo,
E o vento se move;
Percebe-se o tempo
No vento sentido…
No tempo perdido,
Qual é o sentido?
No tempo e no vento,
A vida não pára.