Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Archive for October, 2006

Travessura

Às vezes penso
Que na verdade
Sou um menino
Brincando de ser adulto

Às vezes acho
Que não sou mais
Que a mais pura
E lúdica travessura

Às vezes tento
(e não consigo)
Ser só poesia
Fingindo que é gente

Rumores do peito

Silêncio, tão grande:
Meu peito grita
O sangue murmura qual rio
Tambores ao longe
Coração que bate
Ruído abafado
Tão perto e tão longe
Tão dentro de mim

E como fugir do ruído
Do corpo que me aprisiona?
Não posso calar seus clamores
Mas posso ocultá-los:
Ruídos de fora
Palavra, e música,
Grito de milhares
Tentando fugir de si mesmos
Que o som cala até o pensamento
E o coração não se ouve
E o sangue não corre
E a gente não vive.

More than words

Amor dito
Bem dito
Maldito aperto no peito
Quando em seu lugar
Há silêncio

Amor dito
Há mordido
O lado esquerdo do peito
Que planta ali mesmo
Esperança

Amor dito
Que evito
Usando bem mais que o peito
Que faça bem mais do que fale
E convença

Amor dito
Amor lido
No suave mover de um peito
Que ama até se respira
E é criança.

Amor dito
Amor feito
Que fala porque só transborda
Ouvido até por um surdo
E não cansa;

Amor mudo
E falante
Barulho de um peito que bate
Transforma em eternidade
Um instante.