26 de October de 2006
Travessura
Às vezes penso
Que na verdade
Sou um menino
Brincando de ser adulto
Às vezes acho
Que não sou mais
Que a mais pura
E lúdica travessura
Às vezes tento
(e não consigo)
Ser só poesia
Fingindo que é gente
Às vezes penso
Que na verdade
Sou um menino
Brincando de ser adulto
Às vezes acho
Que não sou mais
Que a mais pura
E lúdica travessura
Às vezes tento
(e não consigo)
Ser só poesia
Fingindo que é gente
Silêncio, tão grande:
Meu peito grita
O sangue murmura qual rio
Tambores ao longe
Coração que bate
Ruído abafado
Tão perto e tão longe
Tão dentro de mim
E como fugir do ruído
Do corpo que me aprisiona?
Não posso calar seus clamores
Mas posso ocultá-los:
Ruídos de fora
Palavra, e música,
Grito de milhares
Tentando fugir de si mesmos
Que o som cala até o pensamento
E o coração não se ouve
E o sangue não corre
E a gente não vive.
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Amor dito
Bem dito
Maldito aperto no peito
Quando em seu lugar
Há silêncio
Amor dito
Há mordido
O lado esquerdo do peito
Que planta ali mesmo
Esperança
Amor dito
Que evito
Usando bem mais que o peito
Que faça bem mais do que fale
E convença
Amor dito
Amor lido
No suave mover de um peito
Que ama até se respira
E é criança.
Amor dito
Amor feito
Que fala porque só transborda
Ouvido até por um surdo
E não cansa;
Amor mudo
E falante
Barulho de um peito que bate
Transforma em eternidade
Um instante.
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