Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Archive for July, 2006

Silêncio

Palavras me fogem.
E as poucas que pego
Em sua corrida
Não rimam, não batem;
É só debandada
Fugaz, desconexa
De idéias e formas,
Poesia que corre
Que foge do peso
Desse pesadelo
Que é nossa vaidade.

Se faltam palavras,
Porém, ‘inda existe
Em mim a poesia;
Poesia em buscá-las,
Poesia em perdê-las,
Poesia em tê-las,
Poesia em guardá-las;
Poesia em falá-las,
Poesia em calar-me
Poesia no alarme
Ao sentir sua falta;

Também é poesia
Faltarem palavras,
Faltar o poema
Que eu tento;
Que às vezes convém,
Sim, que nada se fale
P’ra não estragar
O momento.

Au revoir

A bola dobrava-se e obedecia,
tão somente.
Zidane, um gigante,
dono da bola e do jogo;
beleza nos passes,
no estilo,
na luta e no exemplo.
Pouco se podia fazer
senão observá-lo,
incomparável em domínio,
dono do tempo
e do destino;
a bola girava
e dançava
ao redor de Zidane,
a bola, planeta, ao redor
do seu sol, do Zizou.
E este ofuscava
o brilho do Brasil,
florão da América
que não fulgurava,
tão somente deitado
em berço esplêndido,
ao som do mar
e à luz do céu profundo,
iluminado ao sol
do Velho Mundo.

Valeu.
Valeu pelo privilégio
de ver um gênio
trabalhar,
no que talvez seja
seu último momento de glória,
antes de ser lembrado como lenda
nos anos e copas que vêm.

Valeu pela aula, Zizou.
Au revoir!