Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Chuva da alma

Cai a gota, enfim, escorrendo
Ao longo do suave declive
Precipita-se, suave, impensável
Na grande distância, abaixo
Descendo por curvas, poemas
E formas, momentos, lisuras
Superfícies cálidas, nuas
E enquanto cai evapora
No calor que em si mesma encerra
E no da superfície sincera
Que em vão a esmaga e abriga
Até que enfim se esfacela.

Outra gota em seu lugar brota
No olho já tão marejado
Calor e tristeza e água
E sal, e sabor, e beleza
Escorre no rosto sofrido
Vivido de angústias e glórias
Tão cheio de outras histórias
Caminhos trilhados por gotas
Na dor e no amor esculpidos
E a lágrima nova se lança
Tem gosto de vida e de chuva
De sal e também de esperança.


Comentários

  1. Alberto
    June 6th, 2008 | 11:51 am

    E a lágrima nova se lança
    Tem gosto de vida e de chuva
    De sal e também de esperança…lindo este final
    Parabens lindo seu poema.

  2. kátia
    August 19th, 2009 | 10:44 am

    É lindo!! Mas fiquei com uma interrogação incômoda:

    “…
    E no da superfície sincera …”

    E no … o quê?

  3. Roberto
    August 19th, 2009 | 11:06 am

    No calor que em si mesma encerra
    E no [calor] da superfície sincera

    O calor ficou subentendido no segundo verso para não atrapalhar a métrica.

    Obrigado pelo comentário. Um abraço!