Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Archive for May, 2006

TPM

Se não me entendes, que importa?
Nem eu me entendo.
Quem sou, senão o que quero
E o que não quero
O que almejo
E o que odeio, o que ignoro;
Que sou, senão desejo
Se eu beijo
A vida
E choro?

Que ser mulher é debruçar-se
Na incerteza,
No sangue e na poesia
Que sobeja,
Insustentável, incontida
A leveza
Do ser
Mulher.

Música de chuva

Janelas uivam
    Ao vento
Trovões rebombam
    Tambores
E gotas pipocam
    À janela
Se lágrimas brotam
    Silêncio;
Meu coração canta
    Feliz.

Chuva da alma

Cai a gota, enfim, escorrendo
Ao longo do suave declive
Precipita-se, suave, impensável
Na grande distância, abaixo
Descendo por curvas, poemas
E formas, momentos, lisuras
Superfícies cálidas, nuas
E enquanto cai evapora
No calor que em si mesma encerra
E no da superfície sincera
Que em vão a esmaga e abriga
Até que enfim se esfacela.

Outra gota em seu lugar brota
No olho já tão marejado
Calor e tristeza e água
E sal, e sabor, e beleza
Escorre no rosto sofrido
Vivido de angústias e glórias
Tão cheio de outras histórias
Caminhos trilhados por gotas
Na dor e no amor esculpidos
E a lágrima nova se lança
Tem gosto de vida e de chuva
De sal e também de esperança.

Comer Papinha Involui

Era uma vez um garotinho
Que não queria mais crescer
Odiava um molusco
E sonhava com o poder.

Mas um dia descobriram
A caquinha em sua fralda;
Garotinho, coitadinho,
Encontrou-se num dilema;
“Como faço pra que nunca
Mais encontrem minha sujeira?

Se o problema é a caquinha,
Eu resolvo na origem;
Pois não sai o que não entra;
Vou parar com a papinha!”

Garotinho agora chora
De manha e também de fome;
Mas mesmo quando não come
Ainda cheira a falcatrua.
Pode até não ter caquinha
Mas o cheiro continua…