Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Gripe

Sou eu que deixo-te doente. Sou eu que invado teu corpo, que me multiplico aos milhares, milhões, até bilhões, me alimentando de ti mesma; que desfaço o delicado equilíbrio, aumentando tua temperatura, diminuindo a capacidade de teus pulmões; fazendo-te adoecer, dando-te dor e fraqueza. Às vezes tentas expulsar-nos, mas somos resilientes e demasiadamente numerosos.

Mas há aqueles entre nós que não gostariam de deixar-te assim. Que gostariam de não deixar-te doente, mas de conviver alegremente contigo, com teus abundantes recursos, sem ter que ferir-te. Há alguns que se arrependem de todo o mal que nossa espécie causou a ti. Afinal, somos nós os invasores.

Por isso, Terra, perdão. Nós, humanos, somos tua doença; que achemos em ti, em nós, e principalmente no Criador, a cura; para que o delicado equilíbrio se restabeleça, e nenhum de nós esteja mais doente, no corpo ou na alma.

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