Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Archive for September, 2005

Sexta passada mas não esquecida

Faltaram-me as palavras,
Ou a chance, ou o tempo;
A sexta é passada,
Hoje é terça;
Foi-se a sexta
Sem poema,
Sem escrita.

Mas sexta não precisa
De poesia
P’ra ser sexta;

Sexta é poesia.

O tempo, a vida e a sexta

O tempo e a vida
Se tocam, se afagam,
Trocando olhares
E momentos de sonho;
Naquele momento
Em que a vida humana
Parece nascer
E crescer, e parar;

E o tempo calado
E a vida faceira
Se encontram num beijo:
Chegou a sexta-feira!

Só Viagem, Viagem Só

Eu parto ou fico?
Não sigo, estou farto
De agruras da vida
E da lida… tão duras
As minhas mazelas:
Janelas sozinhas,
A olhar no espaço.
Se passo a vagar
Num instante perdido
Vivido, inconstante;
Partida e chegada,
Chegada e partida:
Uma coisa só.
E só é que eu sigo…
Não parto e não fico.
Só sou… e sou só.

Bem mais uma sexta

Nem toda sexta é igual.
Às vezes chove,
Às vezes faz sol;
Quem chora uma sexta
Pode rir na seguinte,
Se uma é dia treze,
A outra é dia vinte.

Mas toda sexta é igual
Pois sempre chove,
E sempre faz sol;
Tem sempre quem chore
Como tem quem ria
Quem tenha tristeza,
Quem tenha alegria.

A sexta é isso,
Só mais
(E bem mais que)
Um dia.

Tempestade

O vento que sopra
A água que cai
Misturam-se, amálgama
Da terra com a água,
Da terra com o céu;

E o brilho surdo
O trovão sonoro
O fogo estático
Lépido, um átimo
A fúria do céu.

A terra, a água,
Em sentidos opostos
O ar que revolve,
O fogo que cai:

O homem se encolhe
Sob a tempestade
Na sua vaidade
Maior que o mar.

Suprema orgia
Dos quatro elementos!
Que o homem indefeso
Faz só contemplar.

Haikai ou Nunkai?

Quem perde um dedo
Diz que não sabe nada.
Perdeu a escuta?

Poesia no Espelho


Eu olho od E
No Espelho odal ortuO
O que vejo ojev oãN
Não sei. .ies euq O

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