Poesia

Hoje é dia / de poesia / não dissera / quem diria?

Archive for August, 2005

Mais uma sexta!

Chegou enfim mais uma sexta
De uma semana passada
A ferro, e fogo, e suor;
A dor, e angústia velada.

Mas hoje é dia de festa,
Pois ao terminar o labor
Nos vem o descanso comprado,
O tempo pra festa e pro amor.

Na sexta foi o homem criado,
Mas folgou o sábado inteiro;
Se sexta o trabalho é inglório,
No fim o descanso é certeiro.

Assim chegou mais uma sexta
Prenúncio da folga por vir;
É só alegria e descanso
Até a segunda surgir…

A natureza e a rima

P’ra quem acha que a poesia
Está na rima,
Aprenda da natureza
a lição:

De nada adianta lapidar
Um torrão de barro;
Pois barro é sempre
Comum e poroso.

Mas se ao invés olharmos
O bom diamante,
Lapidado ou bruto,
É sempre precioso.

Moral da história:
Se é do coração,
Poema é poema;
Quer rime… ou não.

Copa, Pão e Ilusão

O Brasil, o pobre menino,
Enfim perdeu a inocência?
Ou se esquecerá no futuro?
Ou se entregará à demência?

Pois é como a Copa do Mundo,
Pois se acompanha, ao vivo
O vão desfilar de desgraças
As faltas, o jogo reativo;

Mas muito ao contrário da bola,
E do nosso esporte amado,
Nós comemoramos gol contra…
E pelo governo marcado!

E assim o país do pé-bola
Se vai de buraco em buraco…
Maior testemunho de um povo
Que ao invés de ser forte é fraco.

Na Copa do Mundo ganhamos,
O penta é nosso, afinal;
Se fosse o Pelé presidente
Talvez não se desse tão mal.

Mas quando nos fala de bola
Alguém que não sabe driblar,
Nem passa da eliminatória.
Assim, como iremos ganhar?

Mas chega, metáfora vil,
Mas assim dirijo-me ao povo;
Pois se é enganado assim,
Talvez eu o acorde de novo;

Quem sabe é pensando na bola
Que o povo enfim tome atitude
E use o cartão vermelho
Em vez de esperar que ele mude.

Acorda, Brasil, toma jeito!
O segundo tempo é passado;
O tempo do gol é agora,
Ou terá o Brasil terminado?

Em verso ou em prosa

Existem momentos
Em que me pergunto:
Escrevo em prosa,
Ou escrevo em rima?

E então os meus lentos
Pensamentos, junto
Com a alma curiosa
Me levam p’ra cima;

E em cima eu entendo
Que não é minha escolha,
Quer planta, quer colha,
Quer seco ou chovendo;

Em verso ou em prosa,
Com a alma incontida,
A rima, gostosa,
Faz parte da vida

A vida que passa, o homem que ignora

A folha que cai,
A tarde que morre,
O vento que corre,
A água que vai;

E canta o canoro
Pássaro, e voa;
O tempo se escoa
E eu o ignoro.

E nas minhas dores
Eu passo minha vida;
Sem ser bem sentida,
Sem ver suas cores;

A música emana
De tudo ao redor;
Carrasco maior
Da vã vida humana.

E vem a revolta…
Como a vida passa!
E como a graça
Que há nela não volta!

Quisera soubesse
Viver, tão somente;
Pois sempre, premente,
A vida acontece…

Criador, eis minha prece!
Pois quero viver;
Pois eu não sei ver!
Quisera soubesse…

Guerra e paz

Quando no
Conflito da alma
A poesia falha
E as palavras
Desaparecem,
O que em mim fala
É o silêncio;
E, silente,
Minh’alma,
Se nada faz,
Pelo menos
Rima com paz.

Poesia às séxtas?

Que pena que a rima
De algumas palavras
Nem sempre acompanha
Seu próprio sentido!

A sexta é um exemplo
Frugal e frustrante,
Cabal, retumbante
Do que digo acima.

Ganhemos a rima!
Chamemos de séxta!
Pois rima com festa,
Que é o que fazemos;

Portanto rimemos
Mas só por um pouco;
Porque um poeta
É gente, afinal.

Permita-me a séxta,
ou eu fico louco;
Pois já falta pouco
Pro fim de semana;

A prosa já emana
E a liberdade;
Pois rimar me cansa,
E na séxta faz mal.

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