Ano Novo…

Conheço muitos cristãos (e não-cristãos) que acham que toda a importância dada à “virada do ano” é bobagem. Eu mesmo pensei dessa forma por muito tempo, já que, para os efeitos práticos da nossa vida cotidiana, é só a passagem de mais um dia, dos 365 que temos em cada ano.

Entretanto, pensando assim, a virada de cada dia também é irrelevante. Ou do mês. Ou de qualquer outro ciclo reconhecível, como estações, ou horas. E, se isso acontece, o que sobra é tão somente o tempo — e a virada de horas, minutos, segundos se perde; e de repente… o tempo passa, mas não podemos mais medi-lo.

Então percebemos que Deus criou não só o tempo, mas colocou, dentro do tempo, uma série de ciclos. Desde os primeiros momentos da criação há um ciclo determinado (”tarde e manhã, o ____ dia”). E os ciclos são importantes pois nos permitem medir algo potencialmente infinito e, de outra forma, imperceptível - o tempo - em pequenas parcelas finitas, perceptíveis, e mensuráveis; permitem ligar nossa percepção finita ao infinito e eterno, pela repetição constante de ciclos limitados.

No quarto dia da criação, Deus estabeleceu os astros — Sol, Lua, e Estrelas — que foram, por séculos, o padrão de medida desses tempos e ciclos: o Sol medindo os dias (e anos), a Lua medindo os meses (e anos), e as estrelas medindo os anos. E é de ciclo em ciclo que percebemos a passagem do tempo, de ciclo em ciclo medimos nossa própria vida; e de ciclo em ciclo Deus renova sobre nós sua graça e misericórdia (”renova-se cada manhã”, diz o profeta).

Por tudo isso, não sou mais avesso aos ciclos, ao contrário; vejo em todos eles — pequenos como um segundo, grandes como um ano — o renovar da misericórdia de Deus, a graça dEle em manifestar em algo finito a amplidão de Sua eternidade - ainda que, para Ele, os ciclos se confundam em um só tempo, chamado Hoje, pois pra Deus tudo é Hoje; e para Ele um dia equivale a mil anos, mil anos a um dia, e um momento vale uma eternidade, e uma eternidade se resume num momento.

Mais interessante ainda é que Deus, por um breve tempo, conheceu subjetivamente tais ciclos, quando encarnou em Cristo. Jesus viu o sol nascer e se pôr, dormiu e acordou dia a dia; viu semanas, meses e anos passarem enquanto crescia, e muitas Páscoas (um evento anual); e viu muitos sacrifícios anuais pelo pecado de Israel nos trinta e poucos anos da sua vida, até aquele dia em que efemeridade e eternidade se fundiram, aquele momento singular que encerrou em si todas as Páscoas e todos os sacrifícios de todos os anos da história, e os superou a todos — aquele momento em que o Eterno expirou, numa cruz, por nós, praticamente aos quatorze dias do primeiro mês — e que nos permite entrar na mesma eternidade, sem deixarmos os ciclos que conseguimos perceber, de forma que possamos dizer que um dia em Sua presença vale mais que mil em qualquer outro lugar, ou em qualquer outro tempo.

Sim, é um novo ano. Mais um ciclo se encerra, mais um começa. É uma virada sim, e há várias dessas na própria Bíblia — no fim do dilúvio, no Êxodo, na inauguração do templo de Salomão, na reconstrução anos depois… E o tempo passa, e com ele permanece sobre nós a longanimidade e misericórdia de Deus, e a certeza de que, enquanto existir a Terra como a conhecemos, tais ciclos se repetirão; e que, de ciclo em ciclo, ele estará conosco, até que os séculos se esgotem, até que o tempo morra, e estejamos com Ele, sem ciclos, mas eternamente; sem tempo, mas para sempre.

A todos os leitores do Biblog, meus votos de um feliz 2008, cheio de Deus, e da vivência cotidiana do Evangelho eterno, em todo o tempo — e que reconheçamos, em cada grande ou pequeno ciclo deste ano, a graça e a bondade de Deus sobre nós.

Um comentário para “Ano Novo…”

  1. Juninho
    January 5th, 2008 07:37
    1

    Que a graça, a bondade e a misericórdia de Deus, se manifeste a todos nós em cada minuto e em cada segundo desse ano que se inicia.
    FELIZ ANO NOVO. FELIZ 2008.

    ” tempo, tempo, tempo, mano velho…”