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Ouro transparente como vidro

Saturday, 14 de January de 2006

“E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus… (…) O muro era construído de jaspe, e a cidade era de ouro puro, semelhante a vidro límpido. (…) As doze portas eram doze pérolas: cada uma das portas era de uma só pérola; e a praça da cidade era de ouro puro, transparente como vidro.” (Apocalipse 21:10,18,21)

A Bíblia é um livro singular em muitos aspectos. Mas um dos seus aspectos mais peculiares é que ela usa de coisas que conhecemos, ou que podemos conhecer, para nos falar de coisas que não conhecemos ou entendemos, de coisas que estão fora do âmbito da nossa experiência cotidiana. Para isso ela se utiliza freqüentemente de metáforas e figuras, pelas quais podemos ter acesso à essência do que ela fala, sem necessariamente entendermos a forma.

O texto acima é um exemplo disso. É comum vermos pessoas comentando, e até pregando, que andaremos nas ruas de ouro no céu. Mas pense bem… você já viu alguma vez ouro maciço transparente como vidro, ou semelhante a vidro límpido? Já viu alguma jóia de ouro transparente? Claro que não; transparência não é uma propriedade do ouro puro que conhecemos. O que isso deixa claro é que o texto acima é uma metáfora; a cidade não é feita do ouro que conhecemos (visto que é transparente, e o nosso não), mas é tão preciosa, nobre e incorruptível quanto o ouro que conhecemos. É uma metáfora, uma figura para algo que não conseguimos compreender plenamente - mas que, quando compreendida como figura, nos habilita a entender ao menos a essência do que se diz. E porque só podemos compreender em parte?

Isso acontece porque o nosso entendimento se limita ao que conhecemos, e a nossa mente natural é incapaz de entender diretamente o que é espiritual:

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (I Coríntios 2:14)

Ainda assim, podemos, com o nosso entendimento, tocar a essência dessas coisas, e conhecê-las em parte — com a ajuda do Espírito Santo. É claro que um dia, pela graça de Deus, entenderemos tudo plenamente — no dia em que formos, de fato, plenamente espirituais:

“…porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.” (I Coríntios 13:9-12)

De fato, um dia podemos estar nessa cidade (que não é necessariamente uma cidade), contemplando a sua praça (que não necessariamente é uma praça), feita de ouro puro, transparente como vidro (que não necessariamente é de ouro). Que forma e substância essas coisas hão de ter não sabemos, mas podemos compreender a figura em parte; e só quando estivermos lá é que entenderemos plenamente, pela graça de Deus.

Como, então, entramos nessa cidade, tão familiar e tão desconhecida?

“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.” (Apocalipse 22:14)

A cidade pode ser desconhecida, mas o caminho para ela já conhecemos, e este caminho está em um só, o Senhor Jesus Cristo:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. E para onde eu vou vós conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:2-6)

Há coisas no Senhor Jesus e na sua obra que podemos ter dificuldade em entender (como também em outras partes da Bíblia), mas isso não muda o fato de que ele é o caminho que leva a essa cidade. Ele abriu esse caminho para nós com o seu sangue, e entenda você ou não, creia; naquele dia, naquela cidade, entenderemos tudo — até mesmo que ouro é esse, que é transparente como vidro.

“Nela não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. A cidade não necessita nem do sol, nem da lua, para que nela resplandeçam, porém a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada.” (Apocalipse 21:22-23)

“E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.” (Apocalipse 22:17)