Anos e Planos

“Eia agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, lá passaremos um ano, negociaremos e ganharemos. No entanto, não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece. Em lugar disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Mas agora vos jactais das vossas presunções; toda jactância tal como esta é maligna. Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4:13-17)

Hoje é o último dia de 2005, e é comum na nossa cultura os planos e promessas de Ano Novo. Há também a expectativa de um novo tempo, de novos projetos, novas ilusões e desilusões; a esperança de que tudo vai ser melhor, de que tudo vai ser diferente… como se não fosse apenas um outro dia.

De qualquer forma, o texto acima nos faz refletir. Dizemos para nós mesmos “hoje ou amanhã faremos isso ou aquilo”, mas a verdade é que não sabemos o que sucederá no dia seguinte — até porque Deus fez assim:

“No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Eclesiastes 7:14)

“Não te glories do dia de amanhã; porque não sabes o que produzirá o dia.” (Provérbios 27:1)

Nossa vida é um vapor, como aquele que se dissipa ao calor do sol; qualquer projeto nosso também será tão frágil quanto nossas vidas o são. Mas, na nossa jactância, vivemos como se fôssemos eternos, como se não houvesse limite para nossos dias; fazemos projetos como se o nosso futuro fosse tão certo quanto o nosso passado o é, como se dependesse unicamente de nós, e depositamos nossa esperança em algo que nem ainda existe, e que talvez nem vejamos.

Nesse novo ano, deixo um desafio para você. Viva o Presente, não o futuro; viva o Hoje, não o amanhã. Perceba que sua vida é brisa, é vento, é vaidade, é vapor; perceba que acordar a cada dia é um milagre, uma nova oportunidade de experimentar a misericórdia e a graça de Deus; que cada dia é um Presente que não podemos desperdiçar sonhando com o futuro, nem lembrando do passado, mas vivendo:

“…determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, depois de tanto tempo, como antes fora dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.” (Hebreus 4:7)

“Se, pois, o homem viver muitos anos, regozije-se em todos eles; contudo lembre-se dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade. Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-te o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo.” (Eclesiastes 11:8-9)

E acima de tudo: coloque sua esperança e confiança, não no que é temporal, mas no que é eterno — ou melhor, Naquele que é Eterno: “se o Senhor quiser, viveremos, e faremos isso ou aquilo”. Isso não só coloca as coisas em perspectiva para nós, mas nos ensina a investir primeiro naquilo que é eterno, não no que é efêmero; porque a semente da vida eterna que teremos é a vida que temos Hoje.

“Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:33-34)

“Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.” (II Coríntios 4:16-18)

“A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.” (Lamentações 3:22-24)

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