A água de ontem, o fogo de amanhã

“…pelas quais coisas pereceu o mundo de então, afogado em água; mas os céus e a terra de agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o fogo, sendo reservados para o dia do juízo e da perdição dos homens ímpios. (…) Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.” (II Pedro 3:6-7,10)

Há sessenta anos, o mundo testemunhava a maior tecnologia de destruição descoberta pelo homem. Sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, foi detonada uma bomba atômica que matou milhares de pessoas e destruiu completamente o centro da cidade. A bomba ali lançada gerou um calor comparável ao da superfície do nosso Sol; pessoas e prédios inteiros foram literalmente vaporizados, dissolvidos no ar e na destruição daquele dia.

Por mais terrível que esse dia tenha sido, Pedro nos dá, no texto inicial deste estudo, um quadro aparentemente ainda mais aterrador, e assustadoramente semelhante; um dia em que toda a terra será tomada pelo fogo, e em que os elementos, ardendo, se dissolverão. Mas será esse quadro realmente apenas de destruição, ou há algo mais que precisamos aprender?

Já vimos num outro estudo o caráter do fogo do Senhor. Vimos que quando a Bíblia fala que o nosso Deus é um “fogo consumidor”, que esse fogo tem de fato dois efeitos: ele destrói o que é impuro, efêmero, terreno e mortal; mas purifica e santifica o que é eterno, o que permanece. Sabemos que a terra um dia foi destruída pela água, e que do mesmo modo a terra está agora reservada para o fogo; mas foi a terra destruída pela água, ou purificada por ela? Será ela destruída pelo fogo, ou transformada por ele?

“…tudo o que pode resistir ao fogo, fálo-eis passar pelo fogo, e ficará limpo; todavia será purificado com a água de purificação; e tudo o que não pode resistir ao fogo, fá-lo-eis passar pela água.” (Números 31:23)

Nesse texto da lei percebemos um indício de uma verdade maravilhosa: o dilúvio não foi tanto a destruição da terra, como a purificação dela. Naqueles dias, o mundo era incapaz de resistir à purificação plena agora reservada para a terra, e por isso foi purificada pela água; mas agora que a plenitude dos tempos é passada, e que Deus já foi revelado a nós em forma humana, dando origem à igreja na terra, esta está preparada para a purificação final, a transformação definitiva.

No texto de Pedro, o termo grego traduzido como “dissolver” significa mais exatamente “quebrar nos elementos constituintes”. Não é uma palavra que traga em si o sentido de destruição completa, mas de aproveitamento, purificação e transformação; se o quadro é aparentemente de destruição, na verdade o fogo fará aquilo que o fogo do Senhor faz: destruirá o que se queima, purificará o que permanece, provendo o substrato para uma nova criação baseada na primeira.

“E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.” (I Coríntios 3:12-15)

Pois esse fogo nada mais será que o fogo do Senhor, a presença de Deus plenamente revelada, a Sua glória e santidade lançadas sobre a criação; e essa presença infinita e inefável do Senhor destruirá tudo aquilo que lhe é contrário, e transformará a criação segundo a Sua pureza e santidade.

“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles.” (Apocalipse 20:11)

“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.” (Apocalipse 21:1)

Assim, aguardemos com paciência e esperança esse dia, em que o Senhor purificará a criação da morte, da corruptibilidade e do pecado; aguardemos pelo Dia da revelação do nosso Deus, em que os elementos se dissolverão, em que os céus e a terra de agora passarão, para dar lugar a novos céus e uma nova terra, nos quais habitará para sempre a justiça — revelada em Deus, e no Seu Cristo.

“Ora, uma vez que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça.” (II Pedro 3:11-13)

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