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O princípio do remanescente

Saturday, 30 de July de 2005

“Também Isaías exclama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. Porque o Senhor executará a sua palavra sobre a terra, consumando-a e abreviando-a.” (Romanos 9:27-28)

Há um princípio nas Escrituras que data do Gênesis e atravessa toda a Bíblia até o Apocalipse. E esse princípio implica que Deus escolhe sempre um “pouco” no meio de um “muito”. Tal princípio é geralmente chamado de “princípio do remanescente”, e é sobre ele que quero meditar com você hoje.

O texto acima é bem claro: ainda que o povo de Israel seja tremendamente numeroso, o remanescente é que será salvo. Deus não salva muitos, mas poucos; Deus não escolhe muitos, mas poucos. Assim, Deus trata somente com uma parte — geralmente a menor parte, e a mais fraca, por sinal:

“Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do Senhor. O remanescente de Israel não cometerá iniqüidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; pois serão apascentados, e se deitarão, e não haverá quem os espante.” (Sofonias 3:12-13)

O Senhor Jesus reafirma tal princípio, quando questionado quanto à abrangência da salvação, no tempo presente e nos últimos dias:

“E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que se salvam? Ao que ele lhes respondeu: Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.” (Lucas 13:23-24)

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.” (Mateus 7:13-14)

“Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” (Mateus 22:14)

“Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mateus 24:11-13)

Como também predito pelo profeta Joel:

“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; pois no monte Sião e em Jerusalém estarão os que escaparem, como disse o Senhor, e entre os sobreviventes aqueles que o Senhor chamar.” (Joel 2:32)

Mas por que Deus trabalha com tal princípio? Por que apenas uma parte é salva, e tantos se perdem? Por que existe esse princípio?

“Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são; para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus.” (I Coríntios 1:26-29)

Deus revela nesse princípio algo essencial: Deus escolhe poucos porque escolhe quem quer; Deus escolhe os fracos porque deseja confundir os fortes; Deus escolhe as coisas que não são, para confundir as que são. Na criação, como já vimos em outro estudo, há três coisas “preexistentes” quando da criação, e nenhuma delas é achada na nova criação em Apocalipse. Isso é uma consequência curiosa do princípio acima: as coisas que não eram são as que permanecem, e as que eram desaparecem; os fracos são chamados para reinar sobre os fortes; os últimos se tornam os primeiros; Deus se faz homem e é morto pelos outros homens, para os quais foi enviado. Vêem o princípio subjacente? Deus se esconde nas pequenas coisas, nas que não são; Deus revela sua grandeza no que é pequeno ou desprezível; na Sua grandeza, Deus de fato revela Sua humildade ao escolher o pouco no meio do muito, para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus.

“Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou dirá a tua obra: Não tens mãos? Ai daquele que diz ao pai: Que é o que geras? e à mulher: Que dás tu à luz? (…) Verdadeiramente tu és um Deus que te ocultas, ó Deus de Israel, o Salvador. (…) Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor e não há outro. Não falei em segredo, nalgum lugar tenebroso da terra; não disse à descendência de Jacó: Buscai-me no caos; eu, o Senhor, falo a justiça, e proclamo o que é reto. Congregai-vos, e vinde; chegai-vos juntos, os que escapastes das nações…” (Isaías 45:9-10,15,18-20a)