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Os quatro seres viventes

Wednesday, 27 de July de 2005

“…também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal; e ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás; e o primeiro ser era semelhante a um leão; o segundo ser, semelhante a um touro; tinha o terceiro ser o rosto como de homem; e o quarto ser era semelhante a uma águia voando.” (Apocalipse 4:6-7)

Talvez você já tenha ouvido falar de uma assim chamada “unção dos quatro seres”. Como já vimos em outro estudo, não existe tal coisa, já que a única unção necessária é a unção que permanece, o Espírito Santo a nós dado pelo Senhor. No entanto, que seres são esses? Qual o significado desses quatro seres viventes? Como vemos no texto de Apocalipse, cada um dos seres tinha um rosto diferente. O primeiro parecia um leão, o segundo um touro, o terceiro um homem, e o quarto uma águia. O que pode isso significar?

Vejamos então. Para que o rosto de leão aponta, dentro do contexto citado?

“E disse-me um dentre os anciãos: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos.” (Apocalipse 5:5)

Não é Cristo o Leão de Judá, a raiz de Davi? E não é da sua posição como Rei e Messias que o evangelho de Mateus trata?

“Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção. Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:11-14)

Não é Cristo o servo de Isaías 53, o sacrifício perfeito, superior ao sangue de novilhos? E não é a descrição desse servo voluntário aquela que encontramos no evangelho de Marcos?

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo…” (I Timóteo 2:5-6)

Não é Cristo o nosso homem na glória? E não é do Filho do Homem, do homem Jesus de Nazaré, de que trata o evangelho de Lucas?

“Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os seus filhos e, estendendo as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas, assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho.” (Deuteronômio 32:11-12)

Não é Cristo aquele que nos leva consigo às regiões celestiais, aquele cujo primeiro lar é o céu, aquele que estava no princípio com Deus? E não é do Deus feito homem de que trata o evangelho de João?

Assim, os quatro seres viventes são figuras de Cristo, dos diferentes aspectos da revelação de Cristo, dos seus diferentes papéis — o de Messias e Rei, o de servo e sacrifício, o de homem, e o de Deus; diferentes aspectos do mesmo Cristo, diferentes pontos de vista da sua pessoa e obra; quatro rostos, quatro evangelhos, mas apenas uma pessoa. Isso faz muito mais sentido quanto comparamos com uma visão muito semelhante em Ezequiel:

“E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem; cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. (…) Uniam-se as suas asas uma à outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si; e a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e à mão direita todos os quatro tinham o rosto de leão, e à mão esquerda todos os quatro tinham o rosto de boi; e também tinham todos os quatro o rosto de águia…” (Ezequiel 1:5-6,9-10)

Na visão de Ezequiel, todos os quatro seres tinham os quatro rostos. Assim, ao juntarmos a visão de Apocalipse à visão de Ezequiel, temos quatro papéis diferentes, mas relacionados, e quatro pontos de vista da mesma pessoa; vemos em ambos os casos figuras da pessoa e da obra de Cristo — o que não é surpreendente, como já sabemos.

Assim, como os querubins da arca da aliança apontavam para Cristo, os quatro seres viventes nos dão testemunho da sua pessoa e da sua obra; certos disso, contemplemos não os quatro seres viventes, mas unicamente aquele de quem falam — nosso Senhor Jesus Cristo, Messias e Rei, servo, homem, e Deus.

“Porque não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo vindouro, de que falamos. Mas em certo lugar testificou alguém dizendo: Que é o homem, para que te lembres dele? Ou o filho do homem, para que o visites? Fizeste-o um pouco menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste, todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe fosse sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele; vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e por meio de quem tudo existe, em trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da salvação deles.” (Hebreus 2:5-10)