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Misericórdia, e não sacrifícios

Friday, 22 de July de 2005

“E os fariseus, vendo isso, perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.” (Mateus 9:11-13)

“Misericórdia quero, e não sacrifícios”. O Senhor Jesus mesmo mandou que aprendêssemos o que essa frase significa, e é sobre esta frase o nosso estudo de hoje. O que ela significa? Que sentido há oculto nela?

Esta frase, na verdade, é uma citação parcial de um texto de Oséias, que reproduzo abaixo, com o contexto, para nossa reflexão:

“Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e no-la atará. Depois de dois dias nos ressuscitará: ao terceiro dia nos levantará, e viveremos diante dele. Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. Que te farei, ó Efraim? que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã, e como o orvalho que cedo passa. Por isso os abati pelos profetas; pela palavra da minha boca os matei; e os meus juízos a teu respeito sairão como a luz. Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” (Oséias 6:1-6)

Assim aprendemos que misericórdia é essa que Deus deseja: o conhecimento de Deus. Porque, de fato, ao conhecermos a Deus, duas coisas ficam claras: em primeiro lugar, o maior dos nossos sacrifícios será incapaz de nos tornar propícios a Deus, pois Ele é perfeitamente santo, e nós pecadores; Ele é perfeitamente puro, e nós impuros:

“Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus. Doutra maneira, não teriam deixado de ser oferecidos? Pois tendo sido uma vez purificados os que prestavam o culto, nunca mais teriam consciência de pecado. Mas nesses sacrifícios cada ano se faz recordação dos pecados, porque é impossível que o sangue de touros e de bodes tire pecados. Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado.” (Hebreus 10:1-6)

“Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.” (Romanos 9:16)

Em segundo lugar, a consciência da santidade eterna de Deus, e a insignificância da nossa justiça diante dele, faz com que nos dispamos das nossas vãs obras de justiça, da nossa pretensão de pureza e santidade, para dependermos de uma característica de Deus, que lhe é tão própria quanto Sua santidade: Sua misericórdia. Como, então, alcançamos a misericórdia de Deus, se sacrifícios não bastam?

“Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êxodo 20:5-6)

“Samuel, porém, disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros.” (I Samuel 15:22)

Ouvirmos, guardarmos e seguirmos a palavra de Deus em obediência não é sacrifício ou holocausto, mas consiste simplesmente do reconhecimento de que Deus é Deus; e se é Deus, então Sua palavra deve ser ouvida, guardada, e seguida. Ao declararmos com a nossa obediência que Deus é Deus, ao conhecermos a santidade de Deus na Sua palavra, descobrimos nela também a misericórdia de Deus, da qual então fazemos parte, na qual esperamos. Isso é o que o Senhor quer: que o reconheçamos tal qual Ele é, e que O conheçamos assim; e que assim nos reconheçamos tais quais somos.

“Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade para aqueles que guardam o seu pacto e os seus testemunhos.” (Salmos 25:10)

Deus usou de sacrifícios e holocaustos como figuras da Sua graça e misericórdia, até que viesse o sacrifício perfeito, a saber, o nosso Senhor Jesus Cristo. Por Cristo temos acesso à misericórdia de Deus, nele encontramos a graça de Deus, e nele se torna possível conhecer a Deus.

“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)…” (Efésios 2:4-5)

“A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” (Lamentações 3:22-26)