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O jejum cristão

Thursday, 21 de July de 2005

“Disseram-lhe eles: Os discípulos de João jejuam frequentemente e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem. Respondeu-lhes Jesus: Podeis, porventura, fazer jejuar os convidados às núpcias enquanto o noivo está com eles? Dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim, hão de jejuar.” (Lucas 5:33-35)

O jejum é uma prática necessária na igreja de hoje, já que vivemos os dias em que “o noivo nos foi tirado”. O jejum, na verdade, era uma prática comum da igreja do primeiro século, como vemos no exemplo abaixo:

“E, havendo-lhes feito eleger anciãos em cada igreja e orado com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” (Atos 14:23)

No entanto, em que consiste o jejum? O que é o jejum cristão, e qual sua importância? E por que ele está tão frequentemente ligado à oração?

Há muitos que consideram o jejum como uma espécie de “greve de fome”, como se o jejum ajudasse a “convencer” Deus de algo. Há quem acredite ser um sacrifício, capaz de tornar Deus mais propício a nós. Há quem creia que o jejum é um princípio espiritual ascético, capaz de “purificar” alguém para se aproximar de Deus. Mas não é assim o conceito bíblico, como fica fácil perceber através de alguns textos, a começar do que o Senhor Jesus disse, logo depois de falar sobre oração:

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristrados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:16-18)

Esse texto não nos explica o que é o jejum, mas nos mostra alguns conceitos importantes. O primeiro, e essencial, é que o jejum diz respeito à nossa intimidade com Deus. Não é um testemunho aos homens, ou um retrato da nossa piedade, mas algo que se faz para Deus, em secreto. A segunda coisa importante a notar é que há, de fato, uma recompensa no jejum; mas em que consiste tal recompensa? Começamos a entender de forma mais clara através de duas atitudes do Senhor Jesus, que mostro a seguir:

“Jesus chamou os seus discípulos, e disse: Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que eles estão comigo, e não têm o que comer; e não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam no caminho.” (Mateus 15:32)

“Entrementes os seus discípulos lhe rogavam, dizendo: Rabi, come. Ele, porém, respondeu: Uma comida tenho para comer que vós não conheceis. Então os discípulos diziam uns aos outros: Acaso alguém lhe trouxe de comer? Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra.” (João 4:31-34)

Aí começamos a entender o jejum cristão. Permitam-me usar um exemplo cotidiano. Já aconteceu de alguma vez você ter muito trabalho a fazer, ou coisas a resolver, com tal urgência ou necessidade que o tenha feito perder o almoço? Você já esteve preocupado de tal forma com alguma coisa, que nem se lembrava de comer?

Esse é o princípio do jejum cristão; ele ocorre quando a busca por Deus se torna uma tal prioridade que tudo mais perde a importância; comer ou beber (ou qualquer outra coisa) se tornam secundários. O princípio do jejum é que a nossa comida primeira passa a ser buscar e fazer a vontade de Deus, através da vida de Cristo em nós, já que este é o verdadeiro pão do céu; no jejum, o pão de que vivemos, em primeiro lugar, é a palavra de Deus, tanto a escrita quanto a revelada em Cristo; tudo mais se torna secundário.

Como a oração é um princípio cristão, o jejum também o é, e não é por acaso que oração e jejum estão tão freqüentemente ligados no Novo Testamento. Se o princípio da oração consiste da atenção que voltamos para Deus, o princípio do jejum é a prioridade dessa atenção; se a oração nos fala da importância de buscarmos a Deus, de nos aproximarmos dEle, o jejum nos mostra o quão importante isso é para nós.

Assim, aprendamos, mais que a jejuar, a praticar o princípio do jejum; a buscarmos, de fato, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça; e deixar que tudo mais seja adicional ou secundário. Vivamos, mais que do pão, da intimidade com Deus, e da busca incessante da Sua presença e da Sua vida plena em nós, para que em tudo ele seja glorificado, e acharemos a recompensa: o próprio Deus, nosso tesouro e herança.

“Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (Lucas 10:38-42)

“Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo; sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo…” (Filipenses 3:7-8)