Arquivo para 19 de July de 2005

O chamado irresistível

Tuesday, 19 de July de 2005

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. E Jesus, andando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos - Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram. E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou. Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.” (Mateus 4:17-22)

Suponha que você está num ponto de ônibus, esperando o ônibus para ir para o trabalho. Subitamente, aparece uma pessoa que você nunca viu, olha para você, e diz: “siga-me”. Você iria? Você deixaria tudo que tem, seu trabalho e sua família para trás, para seguir um estranho que você nem sabe direito quem é?

Pois isso foi mais ou menos o que Pedro, André, Tiago, João e muitos outros fizeram: obedeceram ao chamado de um homem que lhes era desconhecido ou pouco conhecido, e deixaram tudo para seguí-lo. O chamado de Jesus a cada um deles não foi um pedido, mas tinha todas as características de uma ordem, à qual eles prontamente obedeceram. Tal atitude pode parecer estranha, mas a Bíblia é repleta de casos de homens que, chamados por Deus em um determinado momento, simplesmente deixaram tudo para obedecer àquele chamado, entre os quais se encontram não só os apóstolos, mas também Abraão, Moisés, e vários outros.

Há algo de sobrenatural nesse chamado, algo que transcende até a vontade humana individual. Tal conceito é conhecido como chamada eficaz ou irresistível, e é um testemunho da natureza divina de Cristo. Aliás, o próprio Senhor Jesus dá testemunho disso, ao contar a seguinte parábola:

“Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre? E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo; e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido. Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” (Lucas 15:4-7)

O que a parábola diz? Primeiro, vou dizer o que não diz; ela não diz que o pastor, ao achar a ovelha, disse a ela: “volte comigo, comigo tudo é tão melhor! Pare de sofrer de sede no deserto, tudo que basta é você me seguir e você vai ser feliz… por favor, venha! Eu vou restituir sua grama, fazê-la uma ovelha próspera! Não vou te tosquiar mais, ao contrário, vou te dar vestes de peles macias e quentinhas. Preciso de você comigo, sem você não consigo nem pastorear as outras noventa e nove ovelhas…”

De modo algum. A palavra diz que o pastor, ao achar a ovelha, a coloca sobre os ombros, e a leva de volta, quer a ovelha queira ou não; porque a encontrou, e porque ela lhe pertence.

O mesmo acontece com o pecador que se arrepende, como aconteceu com os discípulos, como acontece com cada um de nós que crê; somos trazidos ao arrependimento pela ação soberana de Deus, com a nossa concordância ou não, porque Deus determinou assim. Somos comprados pelo sangue de Cristo, e nos tornamos possessão dele, por iniciativa de Deus, não nossa. Isso aconteceu, por exemplo, com Paulo, como ele mesmo descreve:

“Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para estar com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco.” (Gálatas 1:15-17)

Você deve estar se perguntando: onde fica meu livre arbítrio com isso? Não vou responder a pergunta por você, mas quero apenas fazer uma observação para que você pense. Sabemos que levar a ovelha de volta foi decisão do pastor, não da ovelha; o que a ovelha pensou ou deixou de pensar fez alguma diferença na atitude do pastor? Certamente que não; mas fez alguma diferença para a ovelha?

“Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece. Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?” (Romanos 9:18-19)

“Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Mas o que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre; e as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama pelo nome as suas ovelhas, e as conduz para fora. Depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz; mas de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus propôs-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, entrará e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o que é mercenário, e não pastor, de quem não são as ovelhas, vendo vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge porque é mercenário, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.” (João 10:1-15)

Assim, reconheçamos em nós o chamado irresistível de Deus, e atendamos a tal chamado, sabendo que não podemos resistir a ele; e ouçamos a voz do nosso bom pastor, aquele que carregou nossos pecados e nossa velha natureza consigo para a cruz, para nos levar de volta a Deus, cuidando que não saiamos do seu cuidado e do seu aprisco, ao contrário; deixemos tudo, para ganhar a Cristo.

“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.” (Romanos 8:29-30)