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Os fundamentos: o juízo eterno (7/7)

Saturday, 16 de July de 2005

Chegamos no estudo de hoje, sobre o juízo eterno, ao fim de nossos estudos sobre os fundamentos de Hebreus. E o fato de este ser o último fundamento não é coincidência, já que nele Deus termina sua obra definitivamente, vindo, depois dele, o descanso eterno.

O juízo final é um conceito, em si, muito simples. O juízo final é o fechamento da história humana, o final do mundo e do universo como o conhecemos. Nesse dia, Deus terminará plenamente Sua obra, e fará tudo novo; e, em fazendo tudo novo, lançará fora o que é velho; em fazendo tudo incorruptível, lançará fora o corruptível; em lançando fora a morte e o pecado, preservará para sempre a vida. Um dos relatos mais simples do juízo final está, não surpreendemente, no livro de Apocalipse:

“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiram a terra e o céu; e não foi achado lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. O mar entregou os mortos que nele havia; e a morte e o hades entregaram os mortos que neles havia; e foram julgados, cada um segundo as suas obras. E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo. E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe.” (Apocalipse 20:11-21:1)

Vemos, portanto, que o fundamento anterior, a ressurreição dos mortos, está intimamente ligada ao juízo final; todos os mortos serão ressuscitados para que sejam julgados. Seremos todos julgados, diante do trono de Deus, de acordo com o testemunho de dois grupos de livros: um grupo composto por um número indefinido de livros, contendo nossas obras; o segundo grupo, contendo apenas um livro, o livro da vida. De fato, como vemos nesse texto mesmo, o livro da vida nos garante absolvição plena, já que a segunda morte, o castigo eterno, está reservada àqueles cujos nomes não se acharem no livro da vida; farão parte da nova criação, do descanso eterno, apenas aqueles inscritos no livro da vida. Mas que livro é esse? A quem ele pertence?

“E adora-la-ão [a besta] todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Apocalipse 13:8, comentário meu)

O livro da vida pertence a Cristo, o Cordeiro de Deus. É por ele, Cristo, que temos nosso nome escrito nesse livro; é pela sua morte e ressurreição, e pela nossa morte e ressurreição com ele, que recebemos a vida eterna, e temos nosso nome escrito no seu livro. Assim, o juízo final dividirá os mortos em apenas dois grupos, a saber, os que morreram em Cristo, e os que morreram fora dele; os primeiros acharão a segunda vida, mas os outros, a segunda morte.

Esses são, em suma, os fundamentos da fé cristã. Todos os fundamentos derivam do primeiro, o fundamento “oculto”, que é Cristo; ele é o fundamento dos fundamentos, como já vimos; ele precede e permeia todos os fundamentos da fé cristã. Assim, sobre o fundamento de Cristo, temos seis fundamentos a serem aprendidos e desenvolvidos na nossa vida cristã; seis fundamentos sobre os quais construiremos toda a doutrina necessária para crescermos em Deus e para Ele. Tais fundamentos falam, fundamentalmente, do que Deus fez, faz e fará; eles falam da obra de Deus, não da nossa. Que outra obra de Deus há na Bíblia, dividida em seis partes, seguida de um descanso?

“Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.” (Êxodo 20:11)

Seis dias de criação, seis fundamentos; Cristo antes da criação (João 1:1-3), Cristo antes dos fundamentos; depois da criação, o descanso, e depois do último fundamento — o juízo final — o descanso. Como os dias da criação são uma metáfora de tudo que se segue, os rudimentos de Hebreus são um resumo das bases da fé cristã, sobre as quais crescemos; como os dias da criação são um resumo da história do homem para com Deus, os rudimentos são um resumo das etapas na nossa salvação, da obra de Deus em nós e através de nós; e, sabendo disto, saibamos também que, como Deus completou a primeira criação, ele também completará a segunda, em nós:

“…tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus…” (Filipenses 1:6)

Portanto, firmes nos rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos no conhecimento de Deus, obedecendo ao restante do texto de Hebreus, que diz:

“Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno. E isso faremos, se Deus o permitir.” (Hebreus 6:1-3)