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Os fundamentos: ressurreição dos mortos (6/7)

Friday, 15 de July de 2005

Entramos agora nos dois últimos rudimentos de Hebreus 6, que curiosamente estão ambos relacionados a acontecimentos futuros, a saber, a ressurreição dos mortos e o juízo eterno. O que significa, dentro da doutrina, a ressurreição dos mortos? Quais as suas características, e o que é importante sabermos desse conceito?

Convém mencionar que a ressurreição dos mortos era um tema freqüente de discordância entre os mestres da lei da época de Jesus, e mesmo depois; em particular os fariseus e saduceus, como a Bíblia diz:

“Sabendo Paulo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no sinédrio: Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus; é por causa da esperança da ressurreição dos mortos que estou sendo julgado. Ora, dizendo ele isto, surgiu dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu. Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa.” (Atos 23:6-8)

Mas o que o Senhor Jesus nos falou acerca da ressurreição?

“No mesmo dia vieram alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, seu irmão casará com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo casado, morreu: e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; da mesma sorte também o segundo, o terceiro, até o sétimo. depois de todos, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa, pois todos a tiveram? Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus; pois na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos no céu. E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos. E as multidões, ouvindo isso, se maravilhavam da sua doutrina.” (Mateus 22:23-33)

Com isso, o Senhor já nos deu indícios de algo que está intimamente relacionado à ressurreição, que é uma mudança na natureza do corpo físico. Isso implica na existência do corpo, mas numa mudança da sua essência. Cristo foi o primeiro a experimentar tal ressurreição, como vemos abaixo:

“Estando com eles à mesa, tomou o pão e o abençoou; e, partindo-o, lho dava. Abriram-se-lhes então os olhos, e o reconheceram; nisto ele desapareceu de diante deles. E disseram um para o outro: Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora levantaram-se e voltaram para Jerusalém, e encontraram reunidos os onze e os que estavam com eles, os quais diziam: Realmente o Senhor ressurgiu, e apareceu a Simão. Então os dois contaram o que acontecera no caminho, e como se lhes fizera conhecer no partir do pão. Enquanto ainda falavam nisso, o próprio Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? E por que surgem dúvidas em vossos corações? Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. Não acreditando eles ainda por causa da alegria, e estando admirados, perguntou-lhes Jesus: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então lhe deram um pedaço de peixe assado, o qual ele tomou e comeu diante deles.” (Lucas 24:30-43)

O Senhor Jesus, depois da ressurreição, desaparecia e aparecia quando e onde desejava. Podia ser tocado, tinha carne e ossos, e podia comer, mas não parecia precisar de comida. Era o mesmo Cristo, com o mesmo corpo, mas este tinha uma natureza diferente, com capacidades diferentes. Tal é a natureza da ressurreição daqueles que morreram com Cristo, como Paulo descreve:

“Mas na realidade Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.” (I Coríntios 15:20)

“Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E com que qualidade de corpo vêm? Insensato! O que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer. E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como o de trigo, ou o de outra qualquer semente. (…) Assim também é a ressurreição. Semeia-se em corrupção, é ressuscitado em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder. Semeia-se corpo animal, é ressuscitado corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual. Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espíritual, senão o animal; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial. Mas digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: nem todos dormiremos mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória.” (I Coríntios 15:35-37,42-54)

Essa é a característica da ressurreição dos justos: se morremos com Cristo, então tal como Cristo foi ressuscitado, nós o seremos; como o corpo que ele recebeu ao ser ressuscitado, assim será o nosso próprio. A Bíblia, no entanto, diz que todos, justos e injustos, ressuscitarão para o juízo final (que é fundamento que veremos amanhã):

“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.” (João 5:28-29)

Como se pode perceber, há muito o que se dizer sobre a ressurreição, e devemos aqui nos ater ao básico, ao rudimento; falta-nos, portanto, saber porque ela é necessária. Ora, se Deus em Cristo salvou nosso espírito, se hoje pelo Espírito Santo salva nossa alma e nos molda à imagem do Seu Filho, um dia ele precisará completar a sua obra, tornando o nosso corpo também à imagem do Seu Filho ressurreto. Assim o círculo se fecha; Cristo se fez semelhante a nós, e nós seremos nesse dia semelhantes a ele. Com a ressurreição, Deus nos refaz plenamente à imagem de Seu Filho; do mesmo modo, anula definitivamente o pecado, e qualquer possibilidade de obras mortas; e efetivamente cumpre a nossa fé e nossa esperança, para que estejamos para sempre com Ele, em completa novidade de vida - espírito, alma, e corpo. E tal ressurreição, tal restauração do nosso corpo, nada mais é do que consequência do que Deus já fez em nós, através da obra de Cristo:

“Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Romanos 8:10-11)

Assim, aguardemos com paciência e esperança o dia em que o Senhor vivificará nossos corpos mortais, sabendo que, a partir desse dia, estaremos para sempre com o Senhor, sem morte, sem pecado, sem impedimento.

“E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Tessalonicenses 5:23)

“Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8:22-23)