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Os fundamentos: imposição de mãos (5/7)

Thursday, 14 de July de 2005

Continuando nosso estudo dos rudimentos de Hebreus 6, chegamos agora a um dos menos conhecidos: o ensino sobre imposição de mãos. O que a imposição de mãos significa? Para o que ela aponta? Qual o seu lugar, como rudimento da fé?

Vemos no Novo Testamento a imposição de mãos em basicamente dois contextos distintos: em primeiro lugar, para curar ou abençoar:

“E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” (Marcos 6:5)

E em segundo, para comunicar o dom do Espírito Santo, ou seja, a capacitação para o ministério:

“O parecer agradou a todos, e elegeram a Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, e Nicolau, prosélito de Antioquia, e os apresentaram perante os apóstolos; estes, tendo orado, lhes impuseram as mãos.” (Atos 6:5-6)

“Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.” (Atos 8:17)

“Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os despediram.” (Atos 13:2-3)

Este último caso acontece mesmo no Velho Testamento:

“Ora, Josué, filho de Num, foi cheio do espírito de sabedoria, porquanto Moisés lhe tinha imposto as mãos; assim os filhos de Israel lhe obedeceram , e fizeram como o Senhor ordenara a Moisés.” (Deuteronômio 34:9)

Mas, assim sendo, qual é a característica fundamental desse ato simbólico? O que de fato ele significa, para ser usado nesses contextos? Entendemos plenamente o que significa a imposição de mãos quando vemos o contexto principal em que ela era usada no Velho Testamento:

“Quando Arão houver acabado de fazer expiação pelo lugar santo, pela tenda da revelação, e pelo altar, apresentará o bode vivo; e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, sim, todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para uma região solitária; e esse homem soltará o bode no deserto. (…) Mas o novilho da oferta pelo pecado e o bode da oferta pelo pecado, cujo sangue foi trazido para fazer expiação no lugar santo, serão levados para fora do arraial; e lhes queimarão no fogo as peles, a carne e o excremento.” (Levítico 16:20-22,27)

“Então trouxeram os bodes, como oferta pelo pecado, perante o rei e a congregação, que lhes impuseram as mãos; e os sacerdotes os imolaram, e com o seu sangue fizeram uma oferta pelo pecado, sobre o altar, para fazer expiação por todo o Israel. Porque o rei tinha ordenado que se fizesse aquele holocausto e aquela oferta pelo pecado por todo o Israel.” (II Crônicas 29:23-24)

Para quem, então, tudo isso aponta?

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:4-5)

“Imediatamente o Espírito o impeliu para o deserto.” (Marcos 1:12)

“Porque os corpos dos animais, cujo sangue é trazido para dentro do santo lugar pelo sumo sacerdote como oferta pelo pecado, são queimados fora do arraial. Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos pois a ele fora do arraial, levando o seu opróbrio.” (Hebreus 13:11-13)

A imposição de mãos, portanto, aponta para o sacrifício de Cristo por nós. A imposição de mãos aponta para o fato de que nossos pecados foram lançados sobre ele, como foi a nossa velha natureza, e ambos eliminados pela sua morte, para que vivêssemos em novidade de vida, e para que, pela fé, pudéssemos ser salvos. A imposição de mãos aponta para esse processo de “transferência”, do juízo de Deus sobre nós para Cristo, da nossa velha vida para a cruz… mas também da vida de Deus para nós, e do Espírito que ressuscitou a Cristo para o nosso espírito, pela nossa ressurreição com Cristo.

Assim funciona a imposição de mãos no Novo Testamento: ela é sinal do que foi lançado sobre Cristo, a saber, nossos pecados e enfermidades; mas também sinal do que foi dado a nós pelo sacrifício de Cristo, a saber, a nova vida em Cristo e em Deus, na pessoa do Espírito Santo que habita em nós, e que é dado a todo aquele que crê. Como todos os rudimentos, como não podia deixar de ser, a imposição de mãos também aponta para Cristo, nosso Redentor, nosso Senhor e Salvador; para nossa morte e ressurreição com ele; para o que ele tomou sobre si, e para o que ele derramou sobre nós.

“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.” (I Timóteo 5:22)