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Os fundamentos: arrependimento de obras mortas (2/7)

Monday, 11 de July de 2005

Continuando nosso estudo sobre os fundamentos, estudemos o segundo rudimento, a saber, o arrependimento de obras mortas. Para isso, precisamos definir dois conceitos: o que é arrependimento, e o que são obras mortas.

A palavra grega usada para “arrependimento” no texto de Hebreus é metanoia, que significa literalmente “mudança de mente”. O arrependimento, dessa forma, sempre produz mudança; é impossível arrepender-se sem que esse arrependimento seja acompanhado por uma mudança de atitude. Guarde esse conceito por alguns momentos.

O que são obras mortas? Será que são simplesmente pecados? Sim e não. Pecados são obras mortas, sim, mas não necessariamente toda obra morta é pecado. Isso porque obra morta é qualquer obra desprovida de vida, qualquer obra não feita por Deus ou não originada nEle, já que vida, no contexto bíblico, é aquilo que procede de Deus:

“Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens…” (João 1:4)

Ora, o que significa o arrependimento de obras mortas? Significa, sim, o arrependimento pelos nossos pecados, mas mais do que isso. As obras que fazemos com nossas próprias forças, pela nossa carne, são mortas por natureza. As únicas obras “vivas” são aquelas exercidas pelo próprio Deus, e pelo Seu Espírito em nós.

“Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” (Lucas 13:3)

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado, para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis.” (Romanos 8:1-13)

O que significa o arrependimento de obras mortas, então? Mais que o arrependimento dos nossos pecados, ele diz respeito à maneira como Deus trata com a nossa natureza pecaminosa, com o nosso estado de morte espiritual; o arrependimento de obras mortas aponta não só para o arrependimento dos nossos pecados, mas para o reconhecimento da nossa natureza pecaminosa, e para o reconhecimento de como morremos com Cristo para ressuscitarmos com ele. Na conversão, algo milagroso acontece: recebemos uma nova mente, um novo coração, pelo poder do Espírito da vida. Se arrependimento é mudança de mente, e obras mortas apontam para nossa velha natureza, o arrependimento de obras mortas aponta para a morte do nosso velho homem em Cristo, e do nascimento no novo homem pela nossa ressurreição com ele:

“Mas vós não aprendestes assim a Cristo. Se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:20-24)

“Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se temos sido unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente também o seremos na semelhança da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos mais ao pecado. Pois quem está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabendo que, tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais; a morte não mais tem domínio sobre ele. Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:4-13)

Ora, se o arrependimento de obras mortas aponta para mais que o arrependimento, mas para o novo nascimento em si, quem então pode produzir tal arrependimento em nós? Fica claro que não podemos ser nós mesmos.

“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?” (Romanos 2:4)

“…agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque o fostes para o arrependimento; pois segundo Deus fostes contristados, para que por nós não sofrêsseis dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte.” (II Coríntios 7:9-10)

“E rejeita as questões tolas e desassisadas, sabendo que geram contendas; e ao servo do Senhor não convém contender, mas sim ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente; corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, e que se desprendam dos laços do Diabo (por quem haviam sido presos), para cumprirem a vontade de Deus.” (II Timóteo 2:23-26)

Portanto, o arrependimento de obras mortas nos mostra que a salvação não é produzida por nós mesmos, mas por um ato soberano de Deus; que o arrependimento dos pecados é a consequência desse ato soberano, da mudança da nossa mente, da ação do Espírito, do nascimento em nós desse novo homem, à imagem de Cristo; o arrependimento de obras mortas aponta para a salvação que só aquele que é o Autor da vida é capaz de produzir em nós. Sabendo disso, prossigamos, conscientes de que todas as nossas obras doravante devem ser feitas em Deus, e por Ele em nós; e que isso produzirá em nós vida, segundo o novo coração que Deus nos deu, segundo a Sua vontade, e conforme a imagem do Seu Filho.

“Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:13-14)