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Os fundamentos: Introdução (1/7)

Sunday, 10 de July de 2005

“Pelo que deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento de arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e o ensino sobre batismos e imposição de mãos, e sobre ressurreição de mortos e juízo eterno. E isso faremos, se Deus o permitir.” (Hebreus 6:1-3)

Todo conjunto de idéias contém premissas básicas, sobre as quais tal conjunto é fundamentado. A fé cristã não é diferente nesse sentido; ela também tem seus rudimentos, seus fundamentos, mencionados nesse texto de Hebreus.

Temos, assim, sete fundamentos ou rudimentos da doutrina, dos quais seis estão claramente citados no texto acima: arrependimento de obras mortas, fé em Deus, o ensino sobre batismos, o ensino sobre imposição de mãos, o ensino sobre ressurreição dos mortos e o juízo eterno. Desses seis princípios elementares da doutrina, os dois primeiros são práticos, e os outros quatro são classificados como ensino ou doutrina, de forma que são, até certo ponto, “teóricos” — ainda que todos sejam igualmente verdadeiros. E, nos próximos seis dias, gostaria de ver cada um desses seis rudimentos, para que você que lê possa avaliar sua fé, e o quão bem fundamentada ela está, antes de prosseguirmos.

No entanto, eu falei acima de sete rudimentos, e só citei seis. Isso porque o rudimento “oculto” é aquele sobre o qual quero falar hoje. E esse rudimento da doutrina de Cristo é… o próprio Cristo.

“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (I Coríntios 3:11)

O evangelho é, na verdade, muito simples, como já vimos em outro estudo; e ele é tão simples porque fala de apenas duas coisas: Cristo, e sua morte de cruz.

“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” (I Coríntios 2:2)

Todos os outros elementos do evangelho, toda outra doutrina e ensino, todos os conceitos do evangelho prático ou teórico apontam para esses dois elementos, ou surgem deles: da pessoa de Cristo, e da sua obra ao morrer na cruz por nós. Como costumo dizer, Cristo é a mensagem das Escrituras, e a chave para entendê-las; ele, em essência, é o cumprimento, princípio e fim da palavra de Deus; o motivo de existirmos, e a finalidade da nossa existência.

“…para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus - Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” (Colossenses 2:2-3)

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:33-36)

Assim, a pedra principal, de esquina, o fundamento basal de toda a doutrina de Cristo não pode ser nada mais que o próprio Cristo. Todas as outras doutrinas fundamentais falam dele, da sua obra, ou apontam para ele. Deus em Cristo fez todas as coisas; e o mistério da vontade de Deus é fazer com que todas as coisas apontem para Cristo:

“…fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra…” (Efésios 1:9-10)

Assim, Cristo é o princípio e fim da doutrina cristã; a doutrina cristã começa nele, e para ele se dirige; a vida cristã é a vida dele em nós; ou, como diz o próprio escritor de Hebreus no início de sua epístola:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas, feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.” (Hebreus 1:1-4)

Assim, o fundamento dos fundamentos da doutrina cristã é o próprio Cristo, Filho de Deus, Filho do Homem; Jesus de Nazaré, nosso Redentor, Senhor e Salvador; razão pela qual fomos criados, para quem existimos, e no qual cremos; e através do qual importa que sejamos salvos.

“A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos) - esta palavra, vós bem sabeis, foi proclamada por toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo que João pregou, concernente a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele. Nós somos testemunhas de tudo quanto fez, tanto na terra dos judeus como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro. A este ressuscitou Deus ao terceiro dia e lhe concedeu que se manifestasse, não a todo povo, mas às testemunhas predeterminadas por Deus, a nós, que comemos e bebemos juntamente com ele depois que ressurgiu dentre os mortos; este nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. Dele todos os profetas dão testemunho de que todo o que nele crê receberá a remissão dos pecados pelo seu nome.” (Atos 10:36-43)

“…seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.” (Atos 4:10-12)

Assim, firmes no fundamento de Cristo, sabendo que Ele é o princípio e fim de tudo, mensagem e chave das Escrituras, prossigamos no conhecimento do Senhor, fundamentando nossa fé sobre a Rocha que é Cristo; e sejamos salvos pela sua graça, dia a dia, rudimento por rudimento, na teoria e prática da sã doutrina; e cresçamos no conhecimento do Senhor e na sua graça, para glória de Deus.

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda. Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.” (Mateus 7:24-29)

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)