Arquivo para 7 de July de 2005

De volta ao jardim

Thursday, 7 de July de 2005

“O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden para lavrar a terra, de que fora tomado. E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.” (Gênesis 3:23-24)

Sabemos que, quando o homem pecou, foi lançado para fora do jardim do Éden. Mas esse texto fala de três coisas achadas fora ou nas redondezas do jardim: querubins, a oriente do jardim; uma espada flamejante, que ia e vinha, para guardar o caminho da única coisa mencionada nesse texto a estar dentro do jardim — a árvore da vida, capaz de dar vida eterna ao que dela comesse — e, finalmente, o homem que havia sido lançado fora do jardim. Mas o que significa esse texto? Que lições podemos tirar dele?

Temos que ver o que há de comum em todos esses elementos para entendermos o que esse texto significa. Assim, vejamos onde a Bíblia nos fala de querubins:

“Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim numa extremidade e o outro querubim na outra extremidade; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que eu te darei. E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de Israel.” (Êxodo 25:18-22)

Como já vimos em outro estudo, a arca era uma figura de Cristo, como o tabernáculo também era; o propiciatório era também uma figura de Cristo, e sua marca particular eram os dois querubins nas suas extremidades. Há algo de mais notável nesse texto: é que Deus promete falar dos seus mandamentos, de cima do propiciatório, entre os querubins. Então, o que há nos querubins? Uma figura de Cristo, e nele a presença da palavra de Deus.

Vejamos então a espada. O que ela pode significar?

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12)

“Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus…” (Efésios 6:17)

Vemos que a espada, então, também é uma figura da palavra de Deus; e ela guarda o caminho para a árvore da vida. Ora, aqui temos duas coisas guardadas pela palavra de Deus: o caminho, e a árvore da vida. De que essas coisas são símbolos?

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)

“Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida.” (João 5:24)

“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.” (João 6:63)

Ora, se Cristo é o caminho, e ele conduz à vida eterna; se as palavras que diz são espírito e vida, e se ele fala da palavra de Deus todo o tempo, então o que descobrimos? Que os querubins apontam para Cristo, e a espada também, já que a palavra de Deus encarnada é o Cristo de Deus; e o terceiro elemento fora do jardim — a saber, o homem — também aponta para Cristo, porque este se fez homem por nós, deixando a glória dos céus, e a companhia eterna de Deus Pai, tornando-se homem, servo, e morrendo por nós, levando sobre si o nosso pecado; para que o caminho para a vida eterna fosse aberto de novo para nós; para que a espada que guardava o caminho agora nos conduzisse por ele; para que os querubins dessem testemunho da graça de Deus revelada em Cristo, e do seu perfeito sacrifício; para que pudéssemos, novamente, entrar no jardim de Deus, e desfrutar da Sua companhia, da Sua palavra, da Sua proximidade; para que recuperássemos em Cristo o que perdemos com o pecado, a saber, a imagem de Deus:

“Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:27)

“Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no dia em que foram criados. Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.” (Gênesis 5:1-3)

Já que Cristo é essa imagem:

“…e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado; em quem temos a redenção, a saber, a remissão dos pecados; o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação…” (Colossenses 1:13-15)

Em Cristo, Deus providenciou tudo que era necessário para restaurar a primeira criação, para que Ele pudesse conviver com o homem eternamente; se Deus por causa do pecado lançou fora o homem, em Cristo, e na cruz na qual ele se ofereceu por nós, levando sobre si os nossos pecados, Ele nos trouxe de volta ao jardim; e lá ouvimos a Sua voz, e desfrutamos da Sua presença.

“No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim…” (João 19:41a)

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo…” (Hebreus 1:1-2)

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.” (Apocalipse 2:7)