Arquivo para 6 de July de 2005

A purificação do templo

Wednesday, 6 de July de 2005

“Estando próxima a páscoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas ali sentados; e tendo feito um azorrague de cordas, lançou todos fora do templo, bem como as ovelhas e os bois; e espalhou o dinheiro dos cambistas, e virou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se então os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.” (João 2:13-17)

Esse evento é conhecido como “a purificação do templo”. Aparentemente, esse fato isolado destoa do restante do comportamento e ministério do Senhor Jesus. Em todo o tempo ele ensinava, pregava, e curava; mas aqui, o Senhor Jesus de fato “partiu para a ação”, e expulsou com veemência os comerciantes do templo. O que exatamente significa esse texto? Por que Jesus teve tal reação, e o que isso nos diz?

Antes de qualquer coisa, é importante considerarmos que Jesus certamente não fez o que fez num rompante de raiva. Um dos “gomos” do fruto do Espírito é o domínio próprio, e Jesus, mais que qualquer outro homem, soube demonstrá-lo. O que ele fez foi significativo e forte, mas jamais impensado ou inconseqüente; como veremos, há todo um significado por trás do que o Senhor fez.

Antes de examinarmos os indícios das Escrituras, cabe mais um comentário interessante. O que aqueles comerciantes estavam vendendo não era ilícito, ao contrário; os bois, ovelhas e pombos eram usados nos sacrifícios do templo, e vendidos aos que vinham de lugares distantes, ou que não tinham gado próprio, e que portanto precisavam comprar os animais necessários para os sacrifícios definidos pela lei de Moisés. O que, então, estava errado, para que Jesus tivesse a reação que teve?

O texto de João nos dá uma pista na reação dos discípulos, que se lembraram de uma passagem de Salmos:

“Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim.” (Salmos 69:9)

Ora, se o zelo se fez presente, então necessariamente alguma afronta ao Senhor estava presente. Como vimos, a afronta não era o comércio em si, já que este era necessário. Qual era o problema então? A narrativa de Mateus para o mesmo evento nos dá uma pista adicional:

“Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores.” (Mateus 21:12-13)

O Senhor Jesus citou acima o seguinte texto de Isaías:

“E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.” (Isaías 56:6-7)

O texto de Isaías deixa claro que os holocaustos e sacrifícios seriam aceitos com uma condição: se aqueles que o ofereciam guardassem o pacto, a aliança de Deus, expressa nos seus mandamentos. Aí começamos a entender o que Jesus disse; se o templo deveria ser uma casa de oração, então será que a oração também tem alguma condição para ser ouvida?

“…e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. Agora estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar.” (II Crônicas 7:14-15)

“O que aumenta a sua riqueza com juros e usura, ajunta-a para o que se compadece do pobre. O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.” (Provérbios 28:8-9)

E o que o Senhor promete aos que se desviarem da Sua lei, além de não aceitar seus holocaustos, e não ouvir suas orações?

“Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nas minhas ordenanças, se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, então visitarei com vara a sua transgressão, e com açoites a sua iniqüidade.” (Salmos 89:30-32)

Agora tudo faz sentido. O problema não era o comércio em si, mas o fato de que os holocaustos eram oferecidos sem a obediência e devoção devida ao pacto de Deus; aquela casa não era uma casa de oração, porque Deus não ouvia a oração de um povo que transgredia a Sua lei; e o Senhor Jesus os expulsou com um azorrague de cordas — em outras palavras, um chicote usado normalmente para açoitar — porque Deus prometeu que aqueles que deixassem a lei seriam visitados com açoites.

Cristo expôs no templo, não o comércio do homem, mas a corrupção do coração do homem; porque eles ofereciam sacrifícios, mas não obediência; e, como sabemos:

“Samuel, porém, disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros.” (I Samuel 15:22)

Como estamos nós hoje? Será que estamos oferecendo a Deus sacrifícios aparentemente piedosos, mas sem a obediência devida a Ele? Aprendamos, portanto, a obedecer a Deus, antes de orar, antes de sacrificar; pois só assim seremos, através de Cristo, aceitos por Deus, e só assim O conheceremos de fato.

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” (João 14:21)

“E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade; mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele; aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou.” (I João 2:3-6)