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A corrente do amor

Monday, 4 de July de 2005

“Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que te hei de mostrar.” (Gênesis 22:2)

“Isaque, pois, trouxe Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe; tomou-a e ela lhe foi por mulher; e ele a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte de sua mãe.” (Gênesis 24:67)

Os dois textos acima são os dois primeiros versos na Bíblia em que ocorre a palavra “amor” ou “amar”. Isso pode não parecer muita coisa, mas quando consideramos que a Bíblia é um livro inspirado por Deus, então os menores detalhes podem subitamente se tornar plenos de sentido e significado. E isso acontece com os dois versos acima, porque eles mostram o sentido do amor na história humana e no propósito eterno de Deus.

Assim, onde surge o amor, do ponto de vista teológico? Ora, ele surge de Deus, porque o amor faz parte da natureza de Deus:

“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” (I João 4:8)

Assim, se o amor surge em Deus, para onde ele se dirige então, ou para quem? Os dois textos no início deste estudo nos mostram claramente: o pai amou o filho, o filho amou a noiva; assim, o primeiro amor de Deus é dirigido a Seu Filho, e o Filho dirige seu amor para sua noiva, a saber, a igreja:

“Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor.” (João 15:9)

“Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheço; conheceram que tu me enviaste; e eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer ainda; para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja.” (João 17:25-26)

“Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.” (Efésios 5:1-2)

E porque a igreja é o alvo do amor do Filho, o Pai também a ama:

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (I João 4:9-10)

E finalmente, nós amamos a Deus e a Seu Filho:

“Nós amamos, porque ele nos amou primeiro.” (I João 4:19)

Assim temos a “corrente” do amor: o amor parte de Deus, para Seu Filho, que O ama de semelhante modo; do Filho para nós, e por isso, de Deus para nós; e finalmente, de nós para Deus e Seu Filho, pela ação do Espírito:

“…e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Romanos 5:5)

Figura 1: A corrente do amorVivamos, portanto, o amor de Deus, sabendo que ele se dirige primeiro para o Filho, e então para nós; e que se Deus fez tanto por nós, o fez primeiramente por causa do Seu Filho, e não por nossa causa simplesmente; e que, finalmente, Ele mesmo nos deu do Seu amor através do Espírito, para que pudéssemos amá-lO da mesma forma.

“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (II Coríntios 5:14-15)