Arquivo para 2 de July de 2005

O quarto homem

Saturday, 2 de July de 2005

“Então Nabucodonozor se encheu de raiva, e se lhe mudou o aspecto do semblante contra Sadraque, Mesaque e Abednego; e deu ordem para que a fornalha se aquecesse sete vezes mais do que se costumava aquecer; e ordenou a uns homens valentes do seu exército, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abednego, e os lançassem na fornalha de fogo ardente. Então estes homens foram atados, vestidos de seus mantos, suas túnicas, seus turbantes e demais roupas, e foram lançados na fornalha de fogo ardente. Ora, tão urgente era a ordem do rei e a fornalha estava tão quente, que a chama do fogo matou os homens que carregaram a Sadraque, Mesaque e Abednego. E estes três, Sadraque, Mesaque e Abednego, caíram atados dentro da fornalha de fogo ardente. Então o rei Nabucodonozor se espantou, e se levantou depressa; falou, e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós dentro do fogo três homens atados? Responderam ao rei: É verdade, ó rei. Disse ele: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses. Então chegando-se Nabucodonozor à porta da fornalha de fogo ardente, falou, dizendo: Sadraque, Mesaque e Abednego, servos do Deus Altíssimo, saí e vinde! Logo Sadraque, Mesaque e Abednego saíram do meio do fogo. E os sátrapas, os prefeitos, os governadores, e os conselheiros do rei, estando reunidos, viram que o fogo não tinha tido poder algum sobre os corpos destes homens, nem foram chamuscados os cabelos da sua cabeça, nem sofreram mudança os seus mantos, nem sobre eles tinha passado o cheiro de fogo. Falou Nabucodonozor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, o qual enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus.” (Daniel 3:19-28)

Esse é um episódio bem conhecido das Escrituras. Os três amigos de Daniel se recusaram a adorar a imagem feita por Nabucodonosor, e foram por isso lançados numa fornalha de fogo ardente; e foram milagrosamente preservados, aparentemente pela ação de um quarto homem, dentro da fornalha com eles. Mas quem era esse quarto homem? E o que significa?

Se você tem lido com frequência os estudos do Biblog, provavelmente já sabe a resposta. Isso porque era o anjo do Senhor, “semelhante a um filho dos deuses”. Ora, quem mais poderia ser, senão o Senhor Jesus, o filho de Deus, em uma teofania? Isso fica claro com a seguinte frase do Senhor Jesus:

“Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mateus 18:20)

Temos naquela fornalha três homens, lá lançados e reunidos por causa do nome do Senhor; e, por isso mesmo, encontramos lá o Senhor no meio deles. E ele não só os preservou do fogo, como usou do mesmo fogo para libertá-los de suas amarras, de forma que andavam livremente dentro do fogo, sem sofrerem dano. O Senhor faz o mesmo até hoje conosco:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário que estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, sem o terdes visto, amais; no qual, sem agora o verdes, mas crendo, exultais com gozo inefável e cheio de glória, alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.” (I Pedro 1:3-9)

O Senhor usa as tribulações para aperfeiçoar a nossa fé, mas para mais que isso: para nos libertar das coisas que nos amarram, que nos impedem de desfrutar da plena comunhão com Deus; para nos livrar de nós mesmos, para que Cristo seja revelado em nós.

“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.” (I Coríntios 3:11-15)

E se pelo fogo somos purificados, e pela presença de Cristo preservados, em Cristo também somos libertos do poder do fogo e da morte no juízo futuro de Deus:

“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos. (…) E a morte e o hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:6,14-15)

Assim, entendamos que a igreja é necessária para sermos plenamente preservados; que o Senhor está no meio da sua igreja, para preservá-la, e permite a tribulação e a perseguição para purificá-la e exercitá-la na fé, na esperança e no amor; e ele é poderoso para nos guardar na paz do nosso Deus e Pai, para a Sua glória.

“Porque cada um será salgado com fogo. Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós mesmos, e guardai a paz uns com os outros.” (Marcos 9:49-50)

“Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite. E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até a morte.” (Apocalipse 12:10-11)