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Preparando a noiva

Thursday, 30 de June de 2005

“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou, e foi-lhe permitido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro; pois o linho fino são as obras justas dos santos.” (Apocalipse 19:7-8)

Muito se fala hoje sobre preparar a noiva do Cordeiro, isto é, a igreja, para a volta gloriosa do Senhor Jesus. É curioso notar que a Bíblia se refere à igreja como noiva de Cristo predominantemente no livro de Apocalipse — e já que muitos crêem que vivemos nos últimos dias, então tem havido um “mover” no sentido de preparar a noiva para o seu noivo. Ora, mas como preparar a noiva do Cordeiro?

O texto acima fala de uma coisa necessária para a igreja preparada, a noiva gloriosa de Cristo — vestes de linho fino, resplandecente e puro. O próprio texto define o que essas vestes são — a saber, as obras justas dos santos. Como, então, a igreja se prepara? Praticando obras de justiça, de acordo com o evangelho do nosso Senhor, como diz:

“Bendito, seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo, e para nós fez surgir uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo; assim como desde os tempos antigos tem anunciado pela boca dos seus santos profetas; para nos livrar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam; para usar de misericórdia com nossos pais, e lembrar-se do seu santo pacto e do juramento que fez a Abrão, nosso pai, de conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, o servíssemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida.” (Lucas 1:68-75)

“Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (I Coríntios 1:30-31)

“Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do amor que para com o seu nome mostrastes, porquanto servistes aos santos, e ainda os servis.” (Hebreus 6:10)

Tais obras de justiça não consistem em manifestações emocionais apaixonadas, ou preceitos de homens com aparência de piedade, mas no exercício do amor cristão, na expressão das obras da verdadeira fé:

“Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito há nisso? Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma.” (Tiago 2:14-17)

Eu me lembro de uma parte da letra de uma música do João Alexandre, chamada “Em Nome da Justiça”, que diz assim:

“Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado
E em nome de Deus se deixar os feridos de lado
Enquanto o pecado ainda for simplesmente um pecado
Vivido, sentido, embutido, espremido… e pensado

Enquanto se canta e se dança de olhos fechados
Tem gente morrendo de fome por todos os lados
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive, não
Pois Deus se revela, se envolve, resolve… e revive”

Apresentar uma noiva pura e gloriosa, adequadamente vestida para o seu noivo, não consiste em “restaurar a adoração” ou apresentar a Deus uma falsa santidade, mas em fazer as obras que Jesus fez — cuidar dos enfermos e quebrantados de coração, pregar o evangelho aos humildes, e viver a cada respirar a vontade de Deus revelada na Sua palavra — deixando para trás o pecado, deixando para trás o velho homem, e nos revestindo no novo:

“Mas vós não aprendestes assim a Cristo. Se é que o ouvistes, e nele fostes instruídos, conforme é a verdade em Jesus, a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade.” (Efésios 4:20-24)

Assim, a verdadeira preparação da noiva do Cordeiro está nas suas obras de justiça, as obras que ela faz no amor do seu Noivo, para glória de Deus — do amor que ela demonstra, da santidade encontrada na vivência e na prática de um evangelho puro e simples.

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só Esposo, Cristo, para vos apresentar a ele como virgem pura. Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo.” (II Coríntios 11:2-3)