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O caráter da profecia

Monday, 27 de June de 2005

“Corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu coração. Onde não há profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é bem-aventurado.” (Provérbios 29:17-18)

A profecia tem um caráter intrínseco de correção. Por mais que muitos profetas do Velho Testamento falassem de revelações presentes e futuras da parte de Deus, seu papel principal era de exortar e consolar; falar contra o pecado, mostrar a santidade de Deus, e chamar o povo ao arrependimento e encorajá-lo a buscar a Deus. Por esse motivo muitos profetas foram mortos e perseguidos, incluindo o último profeta do Velho Testamento — João Batista — como o próprio Senhor Jesus dá testemunho:

“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.” (Mateus 5:11-12)

Mas qual é o caráter da profecia? Do que ela fala? Já estudamos um pouco o tema em outro estudo, mas agora convém pensarmos um pouco sobre o caráter, o espírito da profecia. Felizmente, a Bíblia mesma define o caráter da profecia, muito claramente:

“Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.” (Apocalipse 19:10)

Todos os profetas deram testemunho de Cristo, direta ou indiretamente, porque toda a palavra de Deus nos fala de Cristo. E esse é o caráter fundamental da profecia: ela necessariamente aponta para Cristo, para a formação do seu caráter em nós, para o sacrifício perfeito que há nele.

Infelizmente, hoje há muitos profetas pelo mundo que nada falam de Cristo. E por que há lugar para tais profetas? Porque somos rebeldes; porque a santidade e a divindade de Cristo são um contraste imenso com a nossa condição humana, limitada e pecadora:

“Pois este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do Senhor; que dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto; dizei-nos coisas aprazíveis, e profetizai-nos ilusões; desviai-vos do caminho, apartai-vos da vereda; fazei que o Santo de Israel deixe de estar perante nós.” (Isaías 30:9-11)

Tudo começa se deixamos de lado a palavra de Deus. A profecia segundo Deus deve sempre concordar com a palavra de Deus, porque tanto a profecia quanto a palavra falam de uma só coisa: Cristo. O testemunho de Jesus é o espírito da profecia, e o cerne da palavra de Deus, aquilo de que o coração de Deus está cheio. Não há “sonhos” no coração de Deus, porque Deus não fala de seus sonhos (e falaremos mais disso em outro estudo); no coração de Deus há uma pessoa, e essa pessoa é Jesus Cristo; e este é o espírito da profecia, e o motivo pelo qual somos exortados e corrigidos pelo Senhor.

“…quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo.” (I Coríntios 11:32)

Paulo diz isto no contexto da ceia do Senhor. E do que a ceia fala, senão de Cristo? Assim, se alguma profecia há que não fale de Cristo, que aponte para ele, o que resta dessa profecia?

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:21-23)

Profetizar nada significa, se não se fala de Cristo; profetizar nada significa, se não o conhecemos; profetizar nada significa, se desobedecemos à palavra de Deus; profetizar nada significa, se não fazemos a Sua vontade.

“Respondeu-lhes Jesus: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo.” (João 7:16-17)

Assim, entendamos que a profecia, como tudo que Deus faz, aponta para o Seu Filho amado, princípio e fim de tudo que Deus fez, e a maior expressão da Sua vontade.

“…fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra…” (Efésios 1:9-10)