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Ouro, incenso e mirra

Sunday, 26 de June de 2005

“E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.” (Mateus 2:11)

No nascimento do Cristo, o rei dos judeus, a Bíblia nos conta que alguns magos viram a sua estrela, e vieram oferecer presentes ao recém-nascido. Os presentes consistiram de ouro, incenso e mirra. Mas o que isso significa?

Só um pequeno parêntese: a Bíblia não diz que eram três reis magos, pois não diz que eram reis, nem tampouco que eram três. Se supõe que eram três por causa dos presentes, que foram de três tipos, e se supõe que seriam reis, porque tais presentes seriam caros, e porque os magos foram tão prontamente recebidos por Herodes. Ainda assim, devemos nos ater ao que a Bíblia diz que eram: magos, até onde se sabe de número desconhecido, e titularidade desconhecida.

Voltando ao tema, os magos ofertaram três tipos de dádivas: ouro, incenso, e mirra. O que significam essas dádivas?

Em primeiro lugar, os presentes cumprem ao menos duas promessas messiânicas:

“A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá; todos os de Sabá, virão; trarão ouro e incenso, e publicarão os louvores do Senhor.” (Isaías 60:6)

“Paguem-lhe tributo os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Seba ofereçam-lhe dons. Todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam. Porque ele livra ao necessitado quando clama, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude. Compadece-se do pobre e do necessitado, e a vida dos necessitados ele salva. Ele os liberta da opressão e da violência, e precioso aos seus olhos é o sangue deles. Viva, pois, ele; e se lhe dê do ouro de Sabá; e continuamente se faça por ele oração, e o bendigam em todo o tempo.” (Salmos 72:10-15)

Mas há um significado individual em cada presente, e um sentido adicional na totalidade deles. Para entendermos o significado dos presentes, devemos encontrar na Bíblia um outro texto que mencione, dentro do mesmo contexto, ouro, incenso e mirra, como vemos aqui. Achamos tal texto em Êxodo, quando Deus mostra a Moisés o modelo do tabernáculo. Em primeiro lugar, a menção do ouro:

“Também farão uma arca de madeira de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura. E cobri-la-ás de ouro puro, por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma moldura de ouro ao redor; e fundirás para ela quatro argolas de ouro, que porás nos quatro cantos dela; duas argolas de um lado e duas do outro.” (Êxodo 25:10-12)

O incenso:

“Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo; e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será. Ora, o incenso que fareis conforme essa composição, não o fareis para vós mesmos; santo vos será para o Senhor.” (Êxodo 30:34-37)

E a mirra:

“Disse mais o Senhor a Moisés: Também toma das principais especiarias, da mais pura mirra quinhentos siclos, de canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinqüenta siclos, de cálamo aromático duzentos e cinqüenta siclos, de cássia quinhentos siclos, segundo o siclo do santuário, e de azeite de oliveiras um him. Disto farás um óleo sagrado para as unções, um perfume composto segundo a arte do perfumista; este será o óleo sagrado para as unções.” (Êxodo 30:22-25)

Portanto, os presentes dados a Jesus o vinculam ao tabernáculo de Deus, e em particular, a três coisas: o ouro que revestia a arca da aliança e vários outros utensílios do tabernáculo; o incenso; e a mirra contida no óleo da unção. Esses elementos apontavam para a santidade de Cristo, seu sacrifício por nós, e seu perfeito sacerdócio. Mas as três coisas juntas significam que Cristo era o modelo original do tabernáculo, como a palavra nos diz:

“E ali virei aos filhos de Israel; e a tenda será santificada pela minha glória; santificarei a tenda da revelação e o altar; também santificarei a Arão e seus filhos, para que me administrem o sacerdócio. Habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei o seu Deus; e eles saberão que eu sou o Senhor seu Deus, que os tirei da terra do Egito, para habitar no meio deles; eu sou o Senhor seu Deus.” (Êxodo 29:43-46)

“Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco.” (Mateus 1:22-23)

Ora, quando Jesus recebeu os presentes, ele estava com Maria, sua mãe — a saber, a virgem que deu à luz um filho, aquele que era o tabernáculo de Deus em forma humana, presença plena e última de Deus entre os homens. Toda a cena aponta para o Messias revelado, o filho de Deus, santuário de Deus, e a marca da Sua aliança eterna com o homem; Deus feito homem, Deus conosco, para sempre. Como diz a Escritura:

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:14)

O verbo usado para “habitar” no grego original do texto acima significa literalmente “habitar numa tenda”, “fazer um tabernáculo”. Assim, o Verbo se fez carne, e neste Verbo, Cristo, o tabernáculo de Deus, Deus habitou entre nós, e vimos a Sua glória — e, pela fé e pela graça de Deus, a vemos ainda hoje.

“Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo (não feito por mãos, isto é, não desta criação), e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção.” (Hebreus 9:11-12)