Arquivo para 23 de June de 2005

Adorando pela fé

Thursday, 23 de June de 2005

“Respondeu-lhe Jesus: Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” (Lucas 4:8)

Muito se fala sobre adoração hoje, e sobre ela sabemos várias coisas. Sabemos, por exemplo, que a verdadeira adoração deve ser em espírito e em verdade; mas há muito mais que podemos aprender quanto à adoração.

Há muitos adoradores na Bíblia. Muitos, ao se falar a palavra “adorador”, vão se lembrar de Davi, por causa de seu talento musical, os muitos salmos que escreveu, e porque era um homem segundo o coração de Deus; mas hoje gostaria de refletir sobre um adorador muito pouco citado, e sobre o que ele pode nos ensinar sobre adoração.

“Pela fé Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou, inclinado sobre a extremidade do seu bordão.” (Hebreus 11:21)

Na galeria dos “heróis da fé” em Hebreus 11, essa é a única menção de adoração, e não é ninguém menos que Jacó, pai do povo chamado por seu novo nome: Israel. Esse texto diz que Jacó adorou ao abençoar os filhos de José. Vejamos então esse texto no Gênesis:

“A tua salvação tenho esperado, ó Senhor! (…) José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto a uma fonte; seus raminhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e perseguiram, mas o seu arco permaneceu firme, e os seus braços foram fortalecidos pelas mãos do Poderoso de Jacó, o Pastor, o Rochedo de Israel, pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará, com bênçãos dos céus em cima, com bênçãos do abismo que jaz embaixo, com bênçãos dos seios e da madre. As bênçãos de teu pai excedem as bênçãos dos montes eternos, as coisas desejadas dos eternos outeiros; sejam elas sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos. Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã devorará a presa, e à tarde repartirã o despojo. Todas estas são as doze tribos de Israel: e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a sua bênção.” (Gênesis 49:18,22-28)

Ora, onde Jacó adorou ali ao Senhor? Ele o fez quando disse “o Poderoso de Jacó, o Pastor, o Rochedo de Israel, o Deus de teu pai, o Todo-Poderoso”. Até esse momento, Jacó não tinha ainda chamado a Deus de seu Deus, mas era antes o “Deus de Abraão”, o “Deus de meus pais”; aqui ele reconhece cabalmente que Deus era, sim, o seu Deus, o seu Poderoso, seu Senhor e refúgio. De fato, o principal aspecto da adoração é reconhecer quem Deus é.

Mas vemos no texto de Hebreus que Jacó não adorou simplesmente, mas que o fez “inclinado sobre a extremidade do seu bordão”. Que bordão era esse que carregava, e o que tem isso a ver com a adoração de que a Bíblia dá testemunho? Para isso, temos que entender porque Jacó precisava de um bordão. Muitos homens de idade nessa época usavam bordões, mas Jacó provavelmente teve que usá-lo bem mais cedo, por causa de um evento bem particular nas Escrituras:

“Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do dia. Quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele. Disse o homem: Deixa-me ir, porque já vem rompendo o dia. Jacó, porém, respondeu: Não te deixarei ir, se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com Deus e com os homens e tens prevalecido. Perguntou-lhe Jacó: Dize-me, peço-te, o teu nome. Respondeu o homem: Por que perguntas pelo meu nome? E ali o abençoou. Pelo que Jacó chamou ao lugar Peniel, dizendo: Porque tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada. E nascia o sol, quando ele passou de Peniel; e coxeava de uma perna.” (Gênesis 32:24-31)

Jacó foi tocado por Deus, de forma que ficou coxo, ao que parece, o resto da vida. Ora, porque o fato de ter adorado apoiado no bordão era tão importante, para ser citado no texto de Hebreus? Porque o bordão era o símbolo de que Jacó era coxo, e ele o era porque foi tocado por Deus; o bordão era o símbolo da fraqueza de Jacó frente Àquele que o havia tocado, e que o havia assim mesmo abençoado. A verdade é que Jacó só entendeu plenamente o impacto daquele dia enquanto abençoava seus filhos, e foi impactado pela sua fraqueza, de forma que clamou “A tua salvação tenho esperado, ó Senhor!”. Só depois desse momento Jacó chamou a Deus de seu Deus, e respondeu assim, pela fé, à pergunta que ele próprio fez a Deus: “Dize-me, peço-te, o teu nome.”

Assim, adoração consiste em reconhecer quem Deus é, e quem nós somos perante Ele; reconhecer Sua perfeição, poder e santidade, e reconhecer a nossa fraqueza e pequenez diante dele; mas também significa aprendermos que na nossa fraqueza Deus pode mostrar seu poder, e o fará quando e como quiser — e aí o chamaremos de nosso Deus, para Sua glória. Como respondeu o Senhor Jesus ao ser tentado, e assim nos diz ainda hoje: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” — só podemos de fato adorar a Deus se Ele for o nosso Deus, e o servirmos de todo o coração, em obediência e amor.

“E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” (II Coríntios 12:7-10)

“Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer. Replicaram-lhe eles: Tu nasceste todo em pecados, e vens nos ensinar a nós? E expulsaram-no. Soube Jesus que o haviam expulsado; e achando-o perguntou-lhe: Crês tu no Filho do homem? Respondeu ele: Quem é, senhor, para que nele creia? Disse-lhe Jesus: Já o viste, e é ele quem fala contigo. Disse o homem: Creio, Senhor! E o adorou.” (João 9:33-38)