Arquivo para 19 de June de 2005

O dedo de Deus

Sunday, 19 de June de 2005

“E assim fizeram. Arão estendeu a sua mão com a vara, e feriu o pó da terra, e houve piolhos nos homens e nos animais; todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egito. Também os magos fizeram assim com os seus encantamentos para produzirem piolhos, mas não puderam. E havia piolhos, nos homens e nos animais. Então disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus. No entanto o coração de Faraó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito.” (Êxodo 8:17-19)

No processo da libertação do povo de Israel do Egito, como se sabe, Deus lançou dez pragas sobre o Egito, para mostrar seu poder para o povo de Israel e para o próprio Egito. O primeiro sinal e o segundo foram reproduzidos pelos magos de Faraó, mas no terceiro sinal, vendo que não conseguiam fazer o mesmo, os magos admitiram para Faraó de que os sinais eram obra do “dedo de Deus”. Assim, temos, pelo dedo de Deus, ou seja, pela ação de Deus, dez pragas, e dez sinais sobre o Egito — dez expressões do seu poder e do seu juízo sobre o povo e os deuses do Egito.

No entanto, vemos na Bíblia um segundo lugar em que a expressão “dedo de Deus” é usada:

“E deu a Moisés, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.” (Êxodo 31:18)

“E o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas estavam escritas todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da assembléia.” (Deuteronômio 9:10)

Curiosamente, quantos mandamentos havia nessas duas tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus? Dez mandamentos. Dez pragas, dez mandamentos… e o dedo de Deus. Coincidência? Claro que não! Afinal, quantos dedos temos nas mãos? Não são dez?

Se havia em cada um dos sinais o dedo de Deus, em dez sinais vemos suas mãos; se havia em cada um dos mandamentos o dedo de Deus, em dez mandamentos temos uma figura de plenitude. Ambos os casos expressam que o dedo de Deus é indistinguível das suas mãos, no sentido em que Deus nunca faz nada isolado de um contexto, mas sempre como parte de um todo coerente e planejado, absolutamente dentro do seu controle e de sua soberania. Em ambos os casos, Deus demonstrou a plenitude do Seu poder e da Sua palavra.

Que significado isso tem pra nós? Ora, é necessário entendermos que, se o dedo de Deus se faz perceber, um dedo é apenas parte das mãos; ou seja, cada um dos sinais mostrados ao povo no Egito foi sem dúvida importante, mas mais importante era o conjunto destes; se cada um dos dez mandamentos foi escrito pelo dedo de Deus, o verdadeiro testemunho era o conjunto deles. Ou seja, toda vez que percebermos o dedo de Deus nas nossas vidas, nas circunstâncias, ou na história, é importante percebermos com isso duas coisas: que Deus estará mostrando assim para nós Seu poder ou Suas palavras, e que tudo que faz é parte de um todo, ainda que não percebamos de imediato:

“Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido.” (I Coríntios 13:12)

Assim, nos dez sinais do Egito, vemos o poder de Deus, e nos dez mandamentos Sua palavra; sabendo que o poder de Deus se revela nas Suas palavras, da mesma forma que o poder de Deus se segue às Suas palavras, de forma que os dois se complementam:

“…porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.” (I Tessalonicenses 1:5)

E onde se complementam, senão em Cristo?

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas, feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.” (Hebreus 1:1-4)

Assim, nos dez sinais no Egito, e nos dez mandamentos, vemos a expressão da justiça e misericórdia de Deus, de Sua santidade e da nossa condição miserável; em Cristo, da mesma forma, vemos as mesmas características de Deus, pois se Cristo sofreu o castigo que a justiça de Deus exigia, pelo mesmo castigo nos fez parte da misericórdia de Deus; se pela sua pregação e procedimento mostrou a santidade e perfeição de Deus, na cruz mostrou nossa terrível condição, e em si mesmo a solução para o problema do pecado. Em Cristo, encontramos o fim do castigo, e o fim da lei; em Cristo, Deus cumpriu plenamente o Seu juízo e Sua lei, para que pudéssemos ser libertos de ambos, pelo Seu poder e Sua palavra.

“Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.” (João 8:6-11)