Arquivo para 17 de June de 2005

Os dois sacerdócios

Friday, 17 de June de 2005

“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (pois sob este o povo recebeu a lei), que necessidade havia ainda de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? Pois, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.” (Hebreus 7:11-12)

A Bíblia nos fala de dois sacerdócios — um encontrado na lei de Moisés, e outro encontrado primeiramente no Gênesis, mas ligado simbolicamente em Hebreus com o sacerdócio de Cristo. Eu gostaria de falar neste estudo de algumas poucas características dos dois sacerdócios, já que o assunto é extenso; mas, como o sacerdócio levítico tem sido muito mencionado nos últimos tempos, julguei por bem escrever este estudo, ainda que incompleto.

O primeiro sacerdócio foi estabelecido na lei de Moisés, e estava restrito a apenas uma das doze tribos de Israel — a saber, a tribo de Levi — e nessa tribo, a apenas uma família, a de Arão:

“E vestirás com eles a Arão, teu irmão, e também a seus filhos, e os ungirás e consagrarás, e os santificarás, para que me administrem o sacerdócio. Faze-lhes também calções de linho, para cobrirem a carne nua; estender-se-ão desde os lombos até as coxas. E estarão sobre Arão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da revelação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no lugar santo, para que não levem iniqüidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para a sua descendência depois dele.” (Êxodo 28:41-43)

Cabia à tribo de Levi todo o serviço do tabernáculo, e posteriormente do templo; mas o sacerdócio era exclusivo da família de Arão. Assim, é importante notar que a tribo de Levi não era uma tribo inteira de sacerdotes:

“Então disse o Senhor a Moisés: Faze chegar a tribo de Levi, e põe-nos diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam; eles cumprirão o que é devido a ele e a toda a congregação, diante da tenda da revelação, fazendo o serviço do tabernáculo; cuidarão de todos os móveis da tenda da revelação, e zelarão pelo cumprimento dos deveres dos filhos de Israel, fazendo o serviço do tabernáculo. Darás, pois, os levitas a Arão e a seus filhos; de todo lhes são dados da parte dos filhos de Israel. Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que desempenhem o seu sacerdócio; e o estranho que se chegar será morto.” (Números 3:5-10)

“Disse mais Moisés a Corá: Ouvi agora, filhos de Levi! Acaso é pouco para vós que o Deus de Israel vos tenha separado da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de fazerdes o serviço do tabernáculo do Senhor e estardes perante a congregação para ministrar-lhe, e te fez chegar, e contigo todos os teus irmãos, os filhos de Levi? Procurais também o sacerdócio?” (Números 16:8-10)

Não havia na lei de Moisés qualquer mandamento para os levitas concernente à música. O ministério musical dos levitas foi instituído apenas quando o reino unificado de Israel foi concretizado na terra prometida, e consolidado quando o templo foi completado, em parte como substituição do seu serviço, já que não teriam que carregar mais o tabernáculo:

“Pois Davi disse: O Senhor Deus de Israel deu repouso ao seu povo; e ele habita em Jerusalém para sempre. Também os levitas não terão mais de levar o tabernáculo e todos os objetos pertencentes ao serviço do mesmo.” (I Crônicas 23:25-26)

“Os sacerdotes estavam em pé nos seus postos, como também os levitas com os instrumentos musicais do Senhor, que o rei Davi tinha feito para dar graças ao Senhor (porque a sua benignidade dura para sempre), quando Davi o louvava pelo ministério deles; e os sacerdotes tocavam trombetas diante deles; e todo o Israel estava em pé.” (II Crônicas 7:6)

Assim, vamos resumir o ministério levítico. Uma tribo das doze de Israel foi separada para se ocupar do serviço do tabernáculo (e depois, do templo). Dessa tribo, apenas uma família exercia o sacerdócio, a saber, os descendentes de Arão. Assim, todo sacerdote era levita, mas nem todo levita era sacerdote.

Vejamos agora o sacerdócio de Melquisedeque, figura do sacerdócio de Cristo:

“Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote do Deus Altíssimo; e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra! E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.” (Gênesis 14:18-20)

“E ainda muito mais manifesto é isto, se à semelhança de Melquisedeque se levanta outro sacerdote, que não foi feito conforme a lei de um mandamento carnal, mas segundo o poder duma vida indissolúvel. Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Pois, com efeito, o mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus. E visto como não foi sem prestar juramento (porque, na verdade, aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes, mas este com juramento daquele que lhe disse: Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre), de tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece para sempre, tem o seu sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, para sempre aperfeiçoado.” (Hebreus 7:15-28)

Portanto, de qual sacerdócio queremos fazer parte? Do sacerdócio levítico, no qual um de cada doze serve ao Senhor no tabernáculo, e mesmo desse universo apenas alguns servem diante do Senhor, e todos levam sua própria culpa?

“Mas os levitas farão o serviço da tenda da revelação, e eles levarão sobre si a sua iniqüidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.” (Números 18:23)

Ou seremos achados no sacerdócio de Melquisedeque em Cristo, o qual é o próprio tabernáculo de Deus, pelo sacrifício do qual podemos todos entrar no lugar Santíssimo, na presença de Deus, e no qual somos isentos de culpa, porque ele a levou sobre si? Quando entenderemos que, como diz o texto inicial deste estudo, se houve mudança de sacerdócio, houve também mudança de lei? Sejamos assim achados em Cristo, e não mais em Levi.

“João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça a vós e paz da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; e da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” (Apocalipse 1:4-6)