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Sacrifício de louvor

Thursday, 16 de June de 2005

“Por ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.” (Hebreus 13:15)

A Bíblia nos exorta a oferecermos sempre a Deus “sacrifício de louvor”. Mas em que consiste isso? O que significa?

Para entendermos plenamente esse verso, temos primeiro que entender o princípio do sacrifício. Sacrifício aqui não significa um esforço além das nossas forças, ou algo que fazemos com dor; significa a oferta prescrita no Velho Testamento, em que se imolava um animal para Deus. Todo sacrifício, no contexto bíblico, exigia sangue; e, por conseguinte, todo sacrifício implica em morte. Curiosamente, parece que o primeiro sacrifício da Bíblia foi feito pelo próprio Deus:

“E o Senhor Deus fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu.” (Gênesis 3:21)

E esse sacrifício apontava para o último, também feito, de certo modo, por Deus:

“É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus, daí por diante esperando, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados.” (Hebreus 10:10-14)

Se o sacrifício perfeito e suficiente para Deus é o próprio Cristo, como então podemos oferecer sacrifícios aceitáveis a Deus?

“Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Romanos 12:1)

Aqui começamos a entender. Nosso louvor é um sacrifício, como é nosso culto racional; e se um sacrifício sempre envolve alguém que morre, e o último sacrifício aceitável a Deus foi a morte de Seu filho, entendemos então que todo sacrifício que ofereçamos a Deus deve estar forçosamente “incluído” no sacrifício de Cristo; se morremos com ele, todo sacrifício aceitável a Deus começa com o fato de que morremos com Cristo.

“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.” (Romanos 6:11-13)

Mas graças a Deus, não só morremos com ele, mas nele agora vivemos para Deus; e assim, somos incluídos naquele sacrifício aceitável a Deus, desfrutando assim da vida dEle em nós. Assim, o sacrifício cristão nada mais é que a aceitação da nossa morte com Cristo, e o livre fluir da sua vida em nós.

“Deixando, pois, toda a malícia, todo o engano, e fingimentos, e invejas, e toda a maledicência, desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação, se é que já provastes que o Senhor é bom; e, chegando-vos para ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para com Deus eleita e preciosa, vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.” (I Pedro 2:1-5)

Se entendemos o que é sacrifício dentro do contexto cristão, ainda falta definir o que é sacrifício de louvor. Pois se o sacrifício consiste na nossa morte e ressurreição com Cristo, nosso louvor surge do fato de que toda a obra foi feita por ele; assim, mortos e ressurretos com ele, louvamos a Deus pelo que Ele fez por nós, e por Seu Filho. E tal sacrifício de louvor jamais será algo forçoso ou penoso para nós, porque, como continua o primeiro verso neste estudo, o sacrifício de louvor é o “fruto de lábios que confessam o seu nome”. Você acha que alguma árvore sente dor ou precisa fazer esforço para dar seu fruto? Certamente que não; o fruto nada mais é que uma expressão da natureza da árvore, e da sua vida — mas uma vida na qual há sacrifício, porque forçosamente nasce com a morte da semente:

“Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.” (João 12:24-25)

Assim, o sacrifício de louvor é a aceitação da obra de Cristo por nós e em nós, da nossa morte e ressurreição com ele, e de como isso nada dependeu de nós, senão exclusivamente dele; se nós o louvamos, é porque ele fez tudo, ou deveríamos louvar também a nós mesmos, não é? Mas nós o louvamos, e somente a ele, porque morremos e ressuscitamos com ele; e isso é fruto primeiro da sua obra, e depois da nossa confissão, da vida gerada em nós pelo Espírito Santo, pelo desfrutar da graça de Deus em Cristo.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça, que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência, fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade, com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo; no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.” (Efésios 1:3-14)