Arquivo para 13 de June de 2005

Justiça e graça

Monday, 13 de June de 2005

“E disse o Senhor: Destruirei da face da terra o homem que criei, tanto o homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor. Estas são as gerações de Noé. Era homem justo e perfeito em suas gerações, e andava com Deus.” (Gênesis 6:7-9)

Um dos episódios mais conhecidos do livro de Gênesis é o dilúvio. O livro nos narra como a maldade do homem se multiplicou na terra, e como Deus decidiu destruir a vida na terra; e como Deus decidiu preservar um homem, Noé, com sua família, e os animais da terra com ele. A Bíblia mostra que Noé contrastava com aquela geração; era um homem justo, perfeito em suas gerações, que andava com Deus, ao contrário daquela geração corrupta. Mas o que temos de mais importante a aprender com Noé?

Nesse texto de Gênesis, vemos já prefigurada uma verdade fundamental das escrituras, mais claramente revelada no Novo Testamento. Ora, a escritura nos diz que Noé era um homem justo, mas o que diz antes? Que Noé achou graça aos olhos de Deus. Sua justiça não é mencionada antes da graça, mas depois; primeiro a Bíblia diz que ele achou graça, depois que era justo. O que vemos, de fato, nesse texto, é a doutrina da justificação pela graça, que achamos depois em Romanos:

“Mas agora, sem lei, tem-se manifestado a justiça de Deus, que é atestada pela lei e pelos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que crêem; pois não há distinção. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:21-26)

Vemos, assim, que não foram as obras de Noé que o recomendaram ao Senhor, mas sim a graça de Deus operando naquele homem; se Noé era justo, foi porque achou graça, e não o contrário. O fato de Noé ser justo, portanto, não surgiu dele próprio, mas da bondade de Deus.

“Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.” (Tito 3:4-7)

Assim, se Noé era justo, foi porque achou graça; se hoje somos vistos por Deus como justos, é porque primeiro experimentamos sua graça; se podemos ser justos, é porque Deus, na sua bondade, providenciou pra nós a justiça, através da morte e ressurreição de Seu filho.

“Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Lucas 18:10-14)

Assim, não são nossas obras que nos hão de recomendar a Deus, mas unicamente nossa fé na Sua graça; não são nossas obras que despertam a graça de Deus, mas a graça de Deus que produz em nós Suas obras. Se somos justos, é porque o Justo morreu por nós, sendo nós ainda injustos; e isso partiu dele, e não de nós.

“Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito…” (I Pedro 3:18)

Portanto, Deus não mudou nunca no seu tratamento com o homem. Noé foi o primeiro homem a ser declarado justo na Bíblia, e vemos que ele só o foi porque antes veio a graça de Deus; esta, no Velho Testamento, ainda oculta, mas acessível pela fé no nosso Deus, e pela esperança da Sua bondade; mas agora, revelada em Cristo, acessível a todo aquele que crê, e que acha sua justiça, não em si mesmo, mas na graça de Cristo. Como era nos tempos de Noé, ainda é, e ainda será; até que venha o Senhor da graça, nosso justificador e redentor, Jesus Cristo.

“Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mateus 24:37-39)