Arquivo para 3 de June de 2005

Os dois Enoques

Friday, 3 de June de 2005

“Jarede viveu cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque. Viveu Jarede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e morreu. Enoque viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém. Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos; Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.” (Gênesis 5:18-24)

Enoque é uma das personagens bíblicas mais conhecidas, por ser um dos únicos seres humanos a não passarem pela morte. O que poucos sabem é que há também no Gênesis um outro Enoque, que inclusive o precede:

“Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. Conheceu Caim a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade, e lhe deu o nome do filho, Enoque.” (Gênesis 4:16-17)

Há grandes diferenças entre esses dois homens, ainda que tivessem o mesmo nome, e ambos fossem descendentes de Adão. Vejamos as quatro principais, para entendermos o que os dois Enoques significam pra nós.

A primeira diferença é que um descendia de Caim, e outro de Sete, substituto de Abel. Como se sabe, Caim matou a seu irmão Abel, e foi amaldiçoado pelo Senhor por isso; no entanto, Deus deu a Adão e Eva outro filho no lugar de Abel, chamado Sete. Assim, a primeira diferença entre o Enoque de Caim e o de Abel é que um descende do primeiro homicida, e o outro do substituto da primeira vítima.

A segunda diferença notável é que a Bíblia nada fala sobre o tempo de vida do Enoque de Caim, enquanto que sabemos todos os dias da vida do Enoque de Sete: trezentos e sessenta e cinco anos, um ano de anos.

A terceira diferença não é tanto entre os Enoques, mas entre seus pais. O Enoque de Caim foi o primogênito de Caim, e teve uma cidade edificada com seu nome. Já o primogênito de Sete foi Enos, em cujos dias os homens começaram a invocar o nome do Senhor. Assim, vemos no Enoque de Caim o estabelecimento do nome do homem, e no Enoque de Sete, o estabelecimento do nome de Deus.

Finalmente, a diferença mais notável entre os dois Enoques é que o Enoque de Caim morreu, mas o Enoque de Sete foi trasladado para não ver a morte, por ter agradado a Deus, andando com Ele (Hebreus 11:5).

Qual, então, seria a diferença fundamental e essencial entre os dois Enoques? Como podemos evitar sermos como o Enoque de Caim? Como podemos nos tornar como o Enoque de Sete?

Em primeiro lugar, somos por natureza descendentes do Enoque de Caim; somos pecadores e homicidas. Mas Deus pode nos transformar no Enoque de Sete, porque Ele providenciou um substituto:

“O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, quando este havia resolvido soltá-lo. Mas vós negastes o Santo e Justo, e pedistes que se vos desse um homicida; e matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.” (Atos 3:13-15)

Quantas vezes você se perguntou o que Barrabás significava? Ele tipificava o Enoque de Caim, pois, sendo homicida, foi colocado lado a lado com o Autor da vida, e dos dois, o homicida foi recebido pelos seus semelhantes; mas o Senhor ali representava melhor que ninguém o Enoque de Sete, pois alcançou testemunho de que agradara a Deus:

“Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.” (Mateus 17:5)

Segundo, não há registro da vida do Enoque de Caim, mas vemos os dias do Enoque de Sete. Do mesmo modo, Deus desconsidera os dias de vida daqueles que são achados separados dEle; mas se somos achados em Cristo, e nele estamos diante do Senhor, se no nosso coração habita a sabedoria de Deus, então nossos dias serão contados diante do Senhor, e alcançarão sua plenitude, pela graça dEle.

Terceiro, o Enoque de Caim aponta para o nome do homem, enquanto que o Enoque de Sete para o nome de Deus. Nisso também vemos o paralelo com o nosso Senhor Jesus Cristo:

“Pai, glorifica o teu nome. Veio, então, do céu esta voz: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.” (João 12:28)

Finalmente, o Enoque de Caim provou a morte como qualquer outro homem, mas não o Enoque de Sete, porque agradou a Deus, e Deus o preservou da morte. Na verdade, em Cristo, Deus também nos preserva da morte:

“Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto? Respondeu-lhe Marta: Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.” (João 11:25-27)

Assim, qual a diferença entre o Enoque de Caim e o Enoque de Sete? A resposta é simples: Cristo é a diferença. Ainda que o Cristo ainda estivesse oculto nos tempos de Enoque, este o contemplou pela fé, sendo achado nele. O Enoque de Sete foi uma figura de Cristo, e é pra nós ainda uma figura daquele que segue a Cristo; temos hoje, no Cristo revelado, uma oportunidade de nos transformarmos, do Enoque de Caim, no Enoque de Sete; de em Cristo acharmos nosso substituto, de em Cristo contarmos nossos dias, de em Cristo glorificarmos o nome de Deus, e de em Cristo acharmos a vida que vence a morte.

Assim, termino com uma pergunta. Qual dos dois Enoques você é?

“Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram.” (Judas 1:14-15)