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Culpados por inocentes?

Thursday, 2 de June de 2005

“Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado; que de maneira alguma terá por inocente o culpado…” (Êxodo 34:6-7a)

É fato que Deus é misericordioso e compassivo. Também é fato que Ele é tardio em irar-se e grande em benignidade. Também é verdade que Ele perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado. Mas precisamos saber que é verdade também que Ele de maneira alguma terá por inocente o culpado.

Isso, na verdade, deixa a todos nós em uma situação difícil, porque pela própria lei de Deus, somos todos culpados:

“Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.” (Romanos 3:9-12)

Como Deus pode então perdoar nosso pecado, se somos culpados, e se ele nunca toma o culpado por inocente? Como resolver esse problema? Como pode Deus livrar da condenação o que não é inocente, se ele jamais tem por inocente o culpado? Como cumprir a palavra abaixo?

“Quando te abaterem, dirás: haja exaltação! E Deus salvará ao humilde. E livrará até o que não é inocente, que será libertado pela pureza de tuas mãos.” (Jó 22:29-30)

Deus precisava executar sua justiça, condenando o pecado pela morte; mas como poderia Ele salvar o que não é inocente, e ser misericordioso sem deixar de lado sua justiça, ser justo sem deixar de lado a misericórdia?

“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós. (…) E deram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte, embora nunca tivesse cometido injustiça, nem houvesse engano na sua boca. Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si.” (Isaías 53:6,9-11)

Em Cristo encontramos a convergência de duas características aparentemente antagônicas de Deus; em Cristo vemos executada a Sua justiça, quando ele tomou sobre si as nossas iniquidades, e sofreu o nosso castigo por nós; e nele vemos a misericórdia de Deus, já que pelo sacrifício perfeito de Cristo podemos ser justificados, e libertos, mesmo que não sejamos inocentes. Em Cristo a justiça e a misericórdia de Deus se harmonizam e completam — Deus teve um inocente por culpado, para justificar os culpados, e só então tê-los por inocentes:

“Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano; sendo injuriado, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (I Pedro 2:22-24)

“Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Coríntios 5:21)

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:23-26)

Assim, Deus pôde satisfazer sua justiça e misericórdia em Cristo. Só havia um problema adicional a resolver: como poderia Deus matar um inocente pelos culpados? Será que condenar um inocente para justificar os culpados opera a justiça de Deus ou a sua misericórdia?

“Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.” (João 10:17-18)

Assim vemos como também esse problema foi resolvido. Deus não matou forçosamente seu Filho, mas antes seu Filho deu a sua vida voluntariamente; e nesse ato, mostrou em si mesmo o amor de Deus, Sua justiça e Sua misericórdia; e permitiu a nós que cremos, antes culpados, sermos apresentados inocentes pelo seu sangue, diante do Deus que de maneira alguma toma o culpado por inocente.

“Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:6-10)