Arquivo para 30 de Maio de 2005

A paciência de Jó

Segunda-feira, 30 de Maio de 2005

“Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.” (Tiago 5:10-11)

A história de Jó é relativamente bem conhecida. O que sabemos sobre Jó, no começo da história, é que era um homem justo, do qual o próprio Deus deu testemunho:

“Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo Jó, que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal?” (Jó 1:8)

No entanto, como sabemos, Deus trouxe sobre Jó uma tribulação duríssima. Em poucos dias Jó perdeu todos os seus bens, todos os seus filhos, e a própria saúde. A Bíblia nos dá um retrato duríssimo do estado de Jó após tudo isso:

“E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.” (Jó 2:13)

Como então, ao permitir tal sofrimento, pode ser o Senhor cheio de misericórdia e compaixão? Porque Jó passou pelo que passou? E o que caracterizou sua paciência, relembrada na epístola de Tiago?

Três frases de Jó dão testemunho da sua paciência. Mesmo com o sofrimento, Jó foi capaz de declarar três coisas:

“Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:20-21)

“Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua integridade? Blasfema de Deus, e morre. Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios.” (Jó 2:9-10)

“Pois eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida esta minha pele, então fora da minha carne verei a Deus; vê-lo-ei ao meu lado, e os meus olhos o contemplarão, e não mais como adversário. O meu coração desfalece dentro de mim!” (Jó 19:25-26)

Mas o Senhor revelou ainda mais quando respondeu às queixas de Jó:

“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Faze-mo saber, se tens entendimento.” (Jó 38:4)

“Farás tu vão também o meu juízo, ou me condenarás para te justificares a ti?” (Jó 40:8)

O Senhor mostrou sua misericórdia e compaixão não ao restaurar tudo que Jó tinha, mas ao mostrar-se para ele, revelar-se na Sua soberania, fazer com que Jó visse com seus olhos aquele de quem só ouvira falar. Deus pode ter tirado tudo que Jó tinha, mas se deu a ele; pode ter comprometido a justiça de Jó com o sofrimento, já que Jó pecou pelo que sofreu, mas no fim mostrou Sua graça, soberania e poder, e confirmou as palavras que Jó falou de uma forma misericordiosa e compassiva.

O fato de crermos não nos livra do sofrimento; o fato de crermos não quer dizer que estamos protegidos de todo mal, porque Deus ainda é soberano e faz o que lhe apraz. Mas de uma coisa podemos ter certeza: a partir do momento em que cremos, toda aflição ou tribulação que tivermos em vida será uma oportunidade de declarar a soberania do Senhor, nossa esperança nEle, e uma oportunidade de olhar além do que nos cerca para vermos com os olhos o Senhor revelado no seu Cristo, e o conhecermos melhor. De fato, como Deus disse a Jó, nenhum homem pode condenar a Deus para se justificar; mas Deus condenou a seu Filho para que nós fôssemos justificados.

“Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. (…) Todavia, foi da vontade do Senhor esmagá-lo, fazendo-o enfermar; quando ele se puser como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias, e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles levará sobre si. Pelo que lhe darei o seu quinhão com os grandes, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.” (Isaías 53:3,10-12)

Que fim teve a paciência de Jó? A verdade é que Jó com isso acrescentou uma quarta frase às três que já tinha falado:

“Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Quem é este que sem conhecimento obscurece o conselho? Por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram demasiado maravilhosas, e que eu não conhecia. Ouve, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me responderás. Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos.” (Jó 42:2-5)

Assim, estejamos cientes de que Deus está sempre no controle de tudo, e saibamos que, se Ele nos fizer sofrer, podemos esperar na sua misericórdia e compaixão, sabendo que o Senhor se revelará a nós sempre mais.

“…alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração…” (Romanos 12:12)

“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Romanos 5:1-5)

“Pois tudo é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus. Por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.” (II Coríntios 4:15-18)