As três mortes
“A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.” (Gênesis 1:2)
A Bíblia, no relato da criação em Gênesis 1, nos fala de três coisas logo antes da primeira ordem de Deus no primeiro dia da criação. Essas coisas são as trevas, o abismo e as águas. Mas o que elas significam? Como veremos, elas podem ser interpretadas como sendo figuras de três diferentes aspectos da morte espiritual.
Comecemos então pelas trevas. Como as trevas são nada mais que a ausência de luz, um dos aspectos da morte é a ausência de Deus, já que Deus é luz:
“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e nele não há trevas nenhumas.” (I João 1:5)
“Quanto aos que se assentavam nas trevas e sombra da morte, presos em aflição e em ferros, por se haverem rebelado contra as palavras de Deus, e desprezado o conselho do Altíssimo…” (Salmos 107:10-11)
O abismo representa o juízo e a consequente distância de Deus, por sermos separados dEle:
“E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.” (Lucas 16:26)
“…ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a fazer subir a Cristo dentre os mortos).” (Romanos 10:7)
“A tua justiça é como os montes de Deus, os teus juízos são como o abismo profundo.” (Salmos 36:6a)
E finalmente, o mar está relacionado ao abismo, e representa a rejeição, o esquecimento de Deus, que advém da execução do seu juízo:
“Eles te farão descer à cova; e morrerás da morte dos traspassados, no meio dos mares.” (Ezequiel 28:8)
Assim, a morte espiritual tem três aspectos: ausência de Deus, distância de Deus, e rejeição por parte de Deus. Foi a essa morte que Deus se referiu ao avisar o homem do resultado do pecado (Gênesis 2:17). Assim, se, pelo pecado, o homem está condenado a essa morte, a uma existência caracterizada pela ausência de Deus, pela distância dEle, e pela rejeição por parte de Deus, como resolver esse problema? Deus providenciou uma solução perfeita: Cristo. Em primeiro lugar, ele é a luz, e Deus conosco (Mateus 1:23):
“Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.” (João 8:12)
“…pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz…” (Efésios 5:8)
Ele é o caminho que nos leva de volta a Deus:
“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)
“Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.” (Efésios 2:13)
E, finalmente, ele se sujeitou à rejeição de Deus, para que pudéssemos ser aceitos por Deus, apesar do pecado; ele morreu por nós, para que tivéssemos vida.
“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:5)
“…e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” (2 Coríntios 5:15)
Deus resolveu o problema da morte em Cristo, fazendo dele a luz em meio às trevas, fazendo dele a Sua presença entre e em nós, fazendo dele o caminho de volta à vida, e fazendo-o rejeitado para que nós pudéssemos ser novamente aceitos. Em Cristo, Deus venceu a morte espiritual no que diz respeito aos que crêem:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
E finalmente destruirá por completo a morte, no novo céu e na nova terra que preparou para aqueles que são achados em Cristo; e desde hoje, em Cristo, Ele pode transformar a nossa morte em vida; a ausência em presença; a distância em proximidade; e a rejeição em aceitação, para glória de Deus, e pela sua graça.
“Ora, o último inimigo a ser destruído é a morte.” (I Coríntios 15:26)
“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe. (…) A cidade não necessita nem do sol, nem da lua, para que nela resplandeçam, porém a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória. As suas portas não se fecharão de dia, e noite ali não haverá…” (Apocalipse 21:1,23-25)