O reto juízo
Thursday, 19 de May de 2005“Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mateus 7:1)
“Não julgueis pela aparência mas julgai segundo o reto juízo.” (João 7:24)
O Senhor Jesus falou ambas as frases acima. Assim sendo, afinal: devemos julgar ou não?
O mais curioso é que hoje é muito mais comum ouvir o primeiro verso que o segundo; o “não julgueis”, ao invés do “julgai”. Por que isso ocorre? E qual deve ser, de fato, nosso procedimento?
O verso seguinte ao primeiro verso citado neste estudo já começa a clarear nosso entendimento:
“Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.” (Mateus 7:2)
Paulo coloca o mesmo conceito de uma forma mais específica:
“Portanto, és inescusável, ó homem, qualquer que sejas, quando julgas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade, contra os que tais coisas praticam. E tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?” (Romanos 2:1-3)
A questão não é tanto se se deve julgar ou não, mas sim como se julga, e com que base. Veja bem os textos acima: seremos julgados com o mesmo juízo com que julgamos. Sabemos também que todos seremos um dia julgados pelo Senhor:
“…no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Cristo Jesus, segundo o meu evangelho.” (Romanos 2:16)
Se vamos ser julgados por Deus de qualquer forma, no fim dos tempos, não há dano em julgarmos segundo o juízo divino, por Cristo Jesus, segundo o evangelho. Deus há de nos julgar assim; se julgarmos ou não julgarmos desse modo, ainda assim Deus há de nos julgar com esse juízo. Portanto, devemos sim, julgar; não segundo nosso próprio conceito de certo e errado, mas unicamente segundo a palavra de Deus. O próprio Senhor Jesus deu testemunho disso:
“Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento, (…) e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem. (…) Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 5:22,27,30)
“E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o julgará no último dia. Porque eu não falei por mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, esse me deu mandamento quanto ao que dizer e como falar. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Aquilo, pois, que eu falo, falo-o exatamente como o Pai me ordenou.” (João 12:47-50)
A palavra de Deus é um guia seguro para que julguemos entre o que é bom e mau, o que é certo e errado, o que é segundo Deus e o que não é; é uma fonte segura para que busquemos em tudo a justiça de Deus para nós e todos ao nosso redor. Por isso mesmo, o julgamento segundo a palavra de Deus concorda com a palavra de Deus, e em sua forma presente deve ter como fim, em primeiro lugar, a integridade da doutrina de Deus:
“E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem.” (I Coríntios 14:29)
Em segundo, a disciplina em amor:
“Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo.” (I Coríntios 11:31-32)
E finalmente, a santificação, especialmente na ausência do arrependimento:
“Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que cometeu este ultraje. (…) Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós.” (I Coríntios 5:3,12-13)
Há muitos entre nós hoje que usam do primeiro verso deste estudo para fugir à sua responsabilidade; que não julgam segundo o reto juízo, porque sabem que serão condenados por esse mesmo juízo, e que por isso mesmo não se importam com a integridade da doutrina de Deus; que não têm amor pelo que caminha em erro, para pela repreensão trazê-lo ao arrependimento; e que não se interessam pela santidade de si mesmos e do corpo de Cristo. Há muitos hoje que usam o amor para fugir ao exercício da justiça, e se esquecem do que João, o discípulo do amor, nos fala:
“Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.” (I João 2:29)
“Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão.” (I João 3:10)
Deixo, portanto, como exortação e consolação, a própria palavra de Deus; que ela nos julgue, e que dela usemos com sabedoria para julgar segundo o reto juízo, a nós mesmos primeiro, e depois ao nosso irmão, se necessário; e que encontremos em Deus, pela mesma palavra, não só sua justiça, mas sua graça e misericórdia.
“Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos?” (I Coríntios 6:5)