Arquivo para 18 de Maio de 2005

A fé que espera

Quarta-feira, 18 de Maio de 2005

“…e Isaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher a Rebeca, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, arameu. Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto ela era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. (…) Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe Esaú. Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que foi chamado Jacó. E Isaque tinha sessenta anos quando Rebeca os deu à luz.” (Gênesis 25:20-21,25-26)

Isaque nos mostrou sua fé, à medida em que esperou; por vinte anos orou, consciente da promessa de Deus quanto à sua descendência, e o Senhor finalmente ouviu e lhe deu dois filhos. Assim, vemos a fé de Isaque no fato de ter ele esperado; como vemos em Abraão, seu pai:

“E assim, tendo Abraão esperado com paciência, alcançou a promessa.” (Hebreus 6:15)

Vemos nisso uma verdade gloriosa: a verdadeira fé é uma fé que espera, até porque o esperar está incluído na própria definição da fé:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.” (Hebreus 11:1)

E nessa fé esperamos com paciência:

“Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Romanos 8:24-25)

Hoje é comum vermos, não a verdadeira fé que espera, mas a fé que exige. E isso acontece porque pra nós é difícil esperar:

“A esperança adiada entristece o coração; mas o desejo cumprido é árvore de vida.” (Provérbios 13:12)

No entanto, é necessário entendermos que, à luz desse texto de Provérbios, Deus nos faz esperar por dois motivos. Primeiro, porque esperar nos faz melhores, e isso em parte porque a nossa tristeza só aumenta a nossa alegria ao cumprir-se a promessa de Deus:

“Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.” (Eclesiastes 7:3)

“Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas eu vos tornarei a ver, e alegrar-se-á o vosso coração, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.” (João 16:22)

Segundo, porque Deus tem o seu próprio tempo para todas as coisas, e não o nosso:

“Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. (…) Tudo fez formoso em seu tempo…” (Eclesiastes 3:1,11a)

Como, então, exercitamos essa fé que espera? O que Deus providencia para que exercitemos essa fé, para que esperemos com inteireza de coração e com paciência pelo Senhor?

“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Romanos 5:1-5)

Assim, se cremos que Deus é um Deus que não mente, e que cumpre suas promessas, exerçamos a fé que espera. Esperemos inteiramente no Senhor e na sua graça, certos de que Ele fará o que lhe aprouver no tempo certo, e tenhamos, em fé, essa confiança - de que Ele sabe melhor do que nós mesmos o que é melhor, e de que esperar no Senhor é bom:

“Torno a trazer isso à mente, portanto tenho esperança. A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele. Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.” (Lamentações 3:21-26)