O Deus de Abraão, Isaque e Jacó
Terça-feira, 17 de Maio de 2005“E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração em geração.” (Êxodo 3:15)
Deus se chama várias vezes no Velho Testamento por esse nome: o Deus de Abraão, Isaque, e Jacó. Há muitas realidades maravilhosas escondidas nesse nome, mas hoje eu gostaria de compartilhar apenas uma delas.
Para entendermos porque Deus se chama assim, temos que entender o que se destacou em cada um desses homens, no modo como Deus os usou, e como Deus os via. Começemos com Abraão:
“Então o levou para fora, e disse: Olha agora para o céu, e conta as estrelas, se as podes contar; e acrescentou-lhe: Assim será a tua descendência. E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.” (Gênesis 15:5-6)
Vemos, portanto, que o que houve de notável em Abraão foi sua fé. E Isaque?
“…e Isaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher a Rebeca, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, arameu. Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto ela era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu. (…) Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe Esaú. Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que foi chamado Jacó. E Isaque tinha sessenta anos quando Rebeca os deu à luz.” (Gênesis 25:20-21,25-26)
Leiam bem o texto. Mesmo consciente da promessa de Deus para com ele (de que Deus suscitaria descendência a Abraão em Isaque), Isaque esperou na promessa de Deus; ele orou por vinte anos até que Rebeca tivesse um filho. Por vinte anos ele orou, por vinte anos creu, por vinte anos esperou, e o Senhor ouviu. Assim, o que se destaca em Isaque, mais que sua perseverança, é sua esperança. E Jacó?
“Assim serviu Jacó sete anos por causa de Raquel; e estes lhe pareciam como poucos dias, pelo muito que a amava.” (Gênesis 29:20)
“Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda.” (Gênesis 30:22)
Jacó teve doze filhos, que deram origem às doze tribos de Israel. A vida de Jacó foi marcada por muitos eventos com Deus, mas o que de certa forma mais marcou a vida de Jacó foi seu amor por Raquel. Ainda que o Senhor Jesus descenda de Judá, e portanto de Lia, a esposa desprezada, vemos que o amor de Jacó por Raquel era tão grande que o marcou por toda a vida; e isso é confirmado pela palavra de Deus, no sentido em que o profeta Jeremias usa o nome “Raquel” (e não Lia) para indicar a coletividade das mulheres do povo de Israel (Jeremias 31:15, Mateus 2:18). Assim, nesse contexto, o que se destacou em Jacó foi seu amor.
Cabe ainda lembrar que Jacó de fato foi o pai do povo de Israel, um povo que leva seu novo nome, como dado pelo Senhor (Gênesis 35:10), e que Deus se chama de Deus de Israel até com mais frequência que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. O que aprendemos com isso?
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.” (I Coríntios 13:13)
Deus revela nesse nome três das coisas que definem o relacionamento dEle conosco, e nosso relacionamento com Ele. A fé, sem a qual é impossível agradar a Deus, e mediante a qual somos salvos; a esperança que ele nos concede na sua salvação, na nossa redenção, no seu chamado; e o amor que Ele revelou ao nos dar seu Filho, e que faz abundar em nós para com Ele, para com a igreja, e até para com os que não O conhecem. Assim, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é um Deus que nos fala de fé, esperança e amor:
“Nós, entretanto, pelo Espírito aguardamos a esperança da justiça que provém da fé.” (Gálatas 5:5)
“…lembrando-nos sem cessar da vossa obra de fé, do vosso trabalho de amor e da vossa firmeza de esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai…” (I Tessalonicenses 1:3)
“E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro. (…) Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou.” (I João 3:3,23)
Mas sobretudo de amor:
“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos. Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (…) Nós o amamos, porque ele nos amou primeiro.” (I João 4:8-10, 19)