Tardios em ouvir
Segunda-feira, 16 de Maio de 2005“Sobre isso temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porquanto vos tornastes tardios em ouvir.” (Hebreus 5:11)
Os hebreus foram confrontados aqui com algo terrível. Havia mais de Deus a lhes ser revelado, mas não podiam suportá-lo, porque se tornaram tardios em ouvir. O que significa ser tardio em ouvir? Que consequências isso tem? Como evitar que isso ocorra conosco?
Há basicamente duas coisas que nos impedem de ouvir e aprender do Senhor. A primeira é que o que de Deus se aprende é espiritual, e portanto, precisa da ação do Espírito para ser plenamente entendido. Para isso, precisamos conhecer a Deus, para que prossigamos em conhecê-lo; devemos ser dEle, antes mesmo de aprendermos dEle:
“Respondeu-lhes Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. (…) Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus.” (João 8:42-43,47)
“Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? Assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido.” (I Coríntios 2:11-15)
Assim, é necessário que conheçamos o Senhor para ouvirmos o que Ele tem a dizer. Mas é claro que isso não se aplicava aos Hebreus, porque todos já criam no Senhor, e já o conheciam. Nesse caso, o que fazia que fossem tardios em ouvir? Ainda mais quando o Senhor testemunhou que podemos ouvir o que Ele diz, se somos dEle?
“Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure. Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois, em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.” (Mateus 13:15-17)
A resposta é simples; só podemos ouvir se pararmos de falar.
“Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei.” (Jó 33:31)
“Sabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar.” (Tiago 1:19)
Somos tardios em ouvir quando tudo o que queremos é falar. Quando queremos expressar nossa opinião, nossa vontade, quando tentamos forçar no outro nossa maneira de ver o mundo e entendê-lo, não escutamos nada. Qualquer um sabe disso na vida cotidiana; quantas vezes, argumentando com alguém, falhamos em ouvir seus argumentos simplesmente porque estávamos “arquitetando” os nossos próprios? Isso também é verdade na nossa vida cotidiana com Deus. Quantas vezes oramos ao Senhor, pedindo para que Ele fale, quando já nos preparamos para retrucar se Ele não responder o que esperamos? Quantas vezes queremos instruir o Senhor sobre o que Ele deve nos falar, sobre o que queremos ouvir? Quantas vezes buscamos na palavra de Deus confirmação para os nossos próprios desejos, e não a vontade dEle?
Não convém que seja assim:
“Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” (Habacuque 2:20)
Quando nos calamos, o Senhor fala, e nós ouvimos; quando nos esvaziamos da nossa vontade e dos nossos “pré-conceitos”, da imagem de Deus que criamos pra nós mesmos, da nossa aparência de justiça ou piedade, e nos apresentamos a Deus qual tal nós somos, em silêncio, submissão, e rendição, Ele fala; e dEle nós aprendemos. Assim, ouçamos, e aprendamos com o próprio Senhor a fazer como Maria, irmã de Marta:
“Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (Lucas 10:38-42)