O sangue da nova aliança
Domingo, 15 de Maio de 2005“Se estiver longe de ti o lugar que o Senhor teu Deus escolher para ali pôr o seu nome, então degolarás do teu gado e do teu rebanho, que o Senhor te houver dado, como te ordenei; e poderás comer dentro das tuas portas, conforme todo o teu desejo. Como se come a gazela e o veado, assim comerás dessas carnes; o imundo e o limpo igualmente comerão delas. Tão-somente guarda-te de comeres o sangue; pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida com a carne. Não o comerás; sobre a terra o derramarás como água.” (Deuteronômio 12:21-24)
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.” (I Coríntios 11:23-26)
A velha aliança, a aliança da lei de Moisés, proibia que qualquer um participasse do sangue; a carne das ofertas podia ser comida, normalmente pelos sacerdotes, e em alguns casos também pelos ofertantes; no entanto, o sangue sempre devia ser derramado na terra, e nada devia ser jamais comido com o sangue, nem o sangue deveria ser bebido. Vemos que, pela oferta única de Cristo que marcou o início da nova aliança, ele cumpriu o requisito legal, no sentido em que seu sangue foi derramado na terra por nós:
“Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós.” (Lucas 22:20)
No entanto, ele nos dá a entender que na ceia, figurativamente, bebemos também do seu sangue. Isso significa que bebemos literalmente seu sangue? Claro que não - na ceia, bebemos do suco da videira; no entanto, figurativamente, entendemos que a nova aliança nos traz algo que lhe foi reservado, ausente da antiga aliança:
“Nele estava a vida…” (João 1:4a)
“..estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (João 20:31)
“Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” (João 6:53-56)
A velha aliança declara que “a vida está no sangue”. E vemos em Cristo que quem bebe do seu sangue tem a vida eterna. Pelo sacrifício de Cristo, atingimos algo que a velha aliança desconhece; porque o sacrifício de animais era figurativo, e uma vez que a vida se esvaía dos seus corpos com seu sangue, eles permaneciam mortos. Porém, no sacrifício perfeito de Cristo, a morte não pôde contê-lo; seu sangue derramado lhe trouxe a morte, mas a nós trouxe vida; e assim, pelo seu sangue derramado, ele morreu, mas pelo seu sangue derramado, ressuscitamos com ele. Assim somos reconciliados com Deus pelo sangue, como na velha aliança; mas no sangue de Cristo participamos da sua vida.
“Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:8-10)
Na morte de Cristo temos seu sangue, sua vida, derramada como água; na sua ressurreição recebemos sua vida, seu sangue, e somos feitos seus irmãos, porque participamos do mesmo sangue. A nova aliança introduz nossa participação no sangue, porque agora participamos da vida de Deus em nós - Cristo vivendo em nós, pela pessoa do seu Espírito, para glória de Deus. Na sua morte conhecemos a vida, porque ele deu seu sangue, sua vida, para que tivéssemos vida, vida eterna, e vida em abundância.
“Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna.” (Hebreus 9:13-15)
“Ora, onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado. Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10:18-25)