Livres e escravos
Quarta-feira, 11 de Maio de 2005“Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” (Romanos 6:16)
“…porque de quem um homem é vencido, do mesmo é feito escravo.” (II Pedro 2:19b)
Muito se fala sobre “livre arbítrio”, mas a Bíblia nos dá uma idéia, a princípio, desalentadora: ou somos escravos do pecado, ou da obediência; ou somos escravos da morte, ou da justiça; somos escravos dos nossos próprios desejos… ou escravos de Deus. Isso porque, antes de conhecermos ao Senhor, somos escravos do pecado, e da vontade da carne e dos pensamentos; depois de conhecê-lo, descobrimos que fomos comprados por ele, e agora pertencemos a ele:
“Pois aquele que foi chamado no Senhor, mesmo sendo escravo, é um liberto do Senhor; e assim também o que foi chamado sendo livre, escravo é de Cristo. Por preço fostes comprados; não vos façais escravos de homens.” (I Coríntios 7:22-23)
Como, então, podemos conciliar nossa liberdade do pecado e da morte com nossa realidade como escravos do Senhor? Como podemos ser livres, sendo escravos, e escravos, sendo livres?
Pela sua maravilhosa graça, e pelo poder que lhe é exclusivo, Deus consegue conciliar escravidão com liberdade no nosso chamado, porque Deus transforma a nossa obediência servil em algo muito maior. Isso acontece de três formas. A primeira é que obedecermos a Deus nos faz amigos dele, e nisso teremos liberdade por saber o que Ele faz:
“Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer.” (João 15:14-15)
A segunda é que nossa obediência nos faz filhos de Deus, e com isso há liberdade na medida em que as obras de Deus produzidas em nós são também nossa herança:
“Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:31-36)
“Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus.” (Gálatas 4:7)
A terceira é que nossa obediência produzirá cada vez mais em nós as obras de Deus, pelo seu próprio poder, e acharemos liberdade no cumprimento de sua boa, perfeita e agradável vontade:
“De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:12-13)
“Mas graças a Deus que, embora tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça.” (Romanos 6:17-18)
Assim, nossa obediência servil nos liberta no sentido em que efetivamente nos transforma em amigos, filhos, e participantes da maravilhosa obra de Deus, e de sua boa vontade. O que nos cabe fazer, então? Obedecer, é claro, tendo em mente que somos amigos, filhos e participantes, mas acima de tudo servos:
“Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado? Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer.” (Lucas 17:9-10)
Prossigamos então, livres que somos, e escravos de Cristo, para glória do Senhor, “…levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo.” (II Coríntios 10:5b)