Arquivo para 9 de Maio de 2005

Dentro da arca da aliança

Segunda-feira, 9 de Maio de 2005

“…mas depois do segundo véu estava a tenda que se chama o santo dos santos, que tinha o incensário de ouro, e a arca do pacto, toda coberta de ouro em redor; na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha brotado, e as tábuas do pacto…” (Hebreus 9:3-4)

A arca da aliança é um dos artefatos sagrados mais conhecidos do Velho Testamento, tendo sido inclusive personagem central de pelo menos um filme de aventura. A arca representava para os judeus a aliança de Deus com o homem, e a sua presença entre os homens. O que poucos sabem é que a arca não estava vazia, mas continha um vaso de ouro com três objetos: um pouco do maná, o pão que Deus mandou do céu para sustento do povo de Israel no deserto; a vara de Arão, um pedaço seco de madeira que floresceu milagrosamente como forma de confirmar o sacerdócio de Arão, e as tábuas da lei, as duas tábuas de pedra que Moisés trouxe do monte Sinai, com os dez mandamentos. Qual o significado desses objetos para nós hoje, que não mais vivemos na lei, mas na graça?

Como veremos, todos são figuras de Cristo; mais que isso, são figuras de aspectos do sacrifício do Senhor Jesus por nós. Primeiramente, o próprio Jesus se compara ao maná:

“Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.” (João 6:48-51)

Quanto à vara de Arão, vemos sua ligação com o Messias e seu sacrifício nos textos proféticos do Velho Testamento:

“Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. (…) Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:2,5)

E finalmente, as tábuas do pacto são uma figura da Palavra encarnada, do Verbo de Deus:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho…” (Hebreus 1:1-2a)

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:14)

Cristo realizou em plenitude a visão na qual se baseou a arca da aliança: o meio definitivo para a presença de Deus entre os homens, para estabelecimento eterno da sua aliança conosco, e como marca maior do seu poder. Cristo é o modelo celestial da arca de Deus, e seu cumprimento; como na arca estão o maná, a vara que brotou, e as tábuas da lei, em Cristo encontramos alimento, ressurreição e sabedoria; ele mesmo é o nosso tesouro, presença de Deus entre os homens, e pelo seu sacrifício, ele é o mediador da presença dos homens perante Deus.

“Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.” (Hebreus 9:24-26)

Assim, ainda que a arca física tenha sido perdida, achemo-nos hoje incluídos no sacrifício do Senhor e no pacto no seu sangue, para que vejamos a arca espiritual em glória, nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, quando da sua vinda:

“Abriu-se o santuário de Deus que está no céu, e no seu santuário foi vista a arca do seu pacto…” (Apocalipse 11:19a)

“…porque o seu santuário é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.” (Apocalipse 21:22b)