Nossa pátria é do Senhor
Domingo, 8 de Maio de 2005“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, o povo que ele escolheu para sua herança.” (Salmos 33:12)
É comum ouvirmos este versículo hoje no meio evangélico, junto com brados de “o Brasil é do Senhor Jesus”. Por mais que esse seja o nosso desejo, será que é isso que esse texto nos quer dizer?
Por mais que essa interpretação direta - de que uma nação cujo Deus é o Senhor será feliz - seja válida e desejável, há um conceito que é ainda mais importante entendermos; e esse conceito diz respeito exatamente à “nação cujo Deus é o Senhor”. Para isso, vejamos a promessa de Deus a Abrão, de fazê-lo uma grande nação:
“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:1-3)
Por mais que essa palavra de Deus tenha um cumprimento direto no povo hebreu (tanto judeus quanto árabes), há um indício de uma outra interpretação nesse texto: seria uma só nação composta de famílias de toda a terra?
“Pelo que também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar. Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Ora, os que tais coisas dizem, mostram que estão buscando uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela donde haviam saído, teriam oportunidade de voltar. Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” (Hebreus 11:12-16)
“E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.” (Gálatas 3:29)
Agora começamos a entender. Aqueles que compreenderam a natureza do chamado de Deus a Abrão, e sua promessa, viram nisso, pela fé, uma pátria melhor; não uma nação grande segundo a terra, mas uma nação segundo o céu; uma nação cujo Deus e Senhor seria o Senhor Deus.
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós que outrora nem éreis povo, e agora sois de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, e agora a tendes alcançado.” (I Pedro 2:9-10)
Através de Cristo somos movidos de uma pátria para outra, de um reino para outro - um novo reino, não segundo este mundo, mas segundo o céu; um reino no qual não só opera a justiça, mas sobretudo a graça; um reino que não pode ser abalado:
“…e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado…” (Colossenses 1:13)
“Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor…” (Hebreus 12:28)
De fato, feliz é a nação cujo Deus é o Senhor - e essa nação é conhecida por um nome hoje - igreja:
“Mas tendes chegado ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, a miríades de anjos; à universal assembléia e igreja dos primogênitos inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o mediador de um novo pacto, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.” (Hebreus 12:22-24)
Portanto, nós que cremos devemos nos portar de modo digno da nossa nova pátria; que sejamos dela embaixadores (2 Coríntios 5:20a), peregrinos nesse mundo estranho, até que o Senhor nos conceda ir para o nosso lar, e lá nos alegrarmos no nosso Deus e Salvador.
“Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo…” (Filipenses 3:20)