Pedindo e recebendo
Quarta-feira, 4 de Maio de 2005“Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.” (Mateus 7:8)
“…Nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” (Tiago 4:2c-3)
Parece haver uma contradição nesses textos. Afinal, pedimos e recebemos, ou não? O que define se nossos pedidos a Deus vão ser atendidos ou não?
É necessário buscarmos em outros textos bíblicos a resposta a essa pergunta. Pegar textos isolados pode ser problemático, porque um texto isolado pode representar apenas uma parte da idéia toda. Assim, alguns conceitos bíblicos estão “espalhados” em vários textos distintos, e precisamos então de uma visão geral para entender plenamente o conceito.
Quando fazemos isto, entendemos que há várias “condições” implícitas no pedir, para que recebamos. Quais seriam essas condições?
“…e tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis.” (Mateus 21:22)
Em primeiro lugar, fé é absolutamente essencial. Por quê? Ora, achamos a resposta em Hebreus 11:6:
“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”
Observe, no entanto, o que esse texto fala: mais do que crer, fala daquele que se aproxima de Deus, e daquele que o busca. Guardemos isso por um momento, enquanto continuamos a examinar se há algo além do crer:
“E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido.” (I João 5:14-15)
Esse texto coloca mais uma condição: “se pedirmos segundo a sua vontade”. Segundo a vontade de Deus, não a nossa. Assim entendemos o texto de Tiago mencionado no início deste estudo; se pedimos de acordo com a nossa vontade, pedimos mal; mas se pedimos segundo a vontade de Deus, pedimos bem. Há mais alguma condição?
“Naquele dia nada me perguntareis. Em verdade, em verdade vos digo que tudo quanto pedirdes ao Pai, ele vo-lo concederá em meu nome. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo seja completo.” (João 16:23-24)
Sim… o que pedimos, pedimos “em nome” de Jesus. Imagine que você conceda uma procuração a alguém para que façam algo em seu nome. O que você espera que essa pessoa faça: o que ela quiser… ou o que você faria?
Com base em todos esses textos podemos finalmente entender como funciona a oração. Os pedidos que fazemos em oração não devem ser uma forma de atender aos nossos deleites, mas de submeter nossa vontade à do Senhor; não um fim em si mesmo, mas um auxílio no buscar a Deus; não uma forma de suprirmos nossas necessidades, mas de encontrarmos nossa maior e única necessidade no próprio Senhor Deus, e na sua vontade. Assim o primeiro texto deste estudo faz pleno sentido: o pedir é como o buscar, o buscar como o bater à porta - figuras do buscar a Deus, do aproximar-se dEle, de nos submetermos a Ele, sabendo que Ele não só cuidará das nossas necessidades:
“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.” (Mateus 6:7-8)
Como também nos ajudará a pedir o que Ele deseja pra nós (e nisso o que nos é necessário), ao invés do que nós desejamos:
“Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Romanos 8:26)
Portanto, oremos em todo o tempo ao Senhor, buscando por Ele; e aprendamos a, antes de pedir o pão cotidiano ou qualquer outra coisa, dizer “venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. (Mateus 6:10)